11/08/11 - Melitta aposta no café do Brasil e avalia aquisições

Multinacional alemã deverá investir cerca de 60 milhões de reais no Brasil em 2011

A multinacional alemã Melitta aposta no Brasil, seu segundo mercado após a Europa, para manter crescentes suas vendas de café num ambiente de crise e também tem uma visão de longo prazo para o mercado brasileiro, onde deverá investir cerca de 60 milhões de reais em 2011.

Os investimentos, em pesquisas, ações junto a consumidores e clientes e em fábricas, não incluem eventuais gastos em aquisições, as quais os principais executivos da empresa consideram possíveis ainda neste ano.

Excluindo o dinheiro a ser investido nas unidades produtoras, pouco menos de 10 milhões de reais, o montante previsto é mais do que o dobro que a empresa aplicou no país entre 2008 e 2010.

"O Brasil ainda é um dos países menos afetados pela crise financeira... Então não planejamos reduzir investimentos aqui... O Brasil é um dos nossos mercados favoritos", afirmou o presidente do Grupo Melitta, Thomas Bentz, em visita ao Brasil.

O grupo espera um crescimento de 5 a 7 por cento em seu faturamento global em 2011, ante os 3 bilhões de reais registrados no ano passado, e prevê uma alta semelhante nas vendas no mercado brasileiro, onde faturou 740 milhões de reais em 2010.

Do total faturado no Brasil, cerca de metade vem das vendas de café --a companhia também comercializa outros produtos relacionados ao setor, sendo líder na comercialização de filtros de café, com 45 por cento do mercado em que foi pioneira.

"Parte do aumento em faturamento (esperado) é puxado por preços melhores nas vendas de café", disse Bentz, neto dos fundadores da companhia, acrescentando que a empresa tem conseguido repassar pelo menos 60 por cento dos custos maiores com a commodity para os consumidores --o café registrou máxima de mais de 30 anos na bolsa de Nova York neste ano.

O executivo ponderou que, não fosse a crise financeira atual, as vendas da Melitta poderiam ser ainda melhores para 2011, mas ressaltou que é difícil estabelecer uma conexão entre o consumo de café e os problemas econômicos.

"Eu seria cuidadoso em construir qualquer correlação sobre isso", afirmou, acrescentando que o consumo de café está estagnado na Europa, diferentemente do Brasil, onde há um crescimento estável da demanda.

Em volumes, as vendas totais de café do Grupo Melitta em todo o mundo devem crescer entre 2 e 3 por cento em 2011, sobre as 114 mil toneladas registradas no ano passado, quando a companhia vendeu no Brasil 45,6 mil toneladas.

Aquisições

No Brasil, onde a companhia diz ter a segunda posição no mercado de café, atrás da Pilão, da norte-americana Sara Lee, a empresa prevê atingir um faturamento de 1 bilhão de reais em 2017, quando provavelmente o país já figurará como o maior consumidor global, superando os Estados Unidos, segundo meta da indústria nacional.

O crescimento do faturamento ocorreria por meio dos investimentos realizados --que permitirão um aumento das vendas 25 a 30 por cento--, mas também há a possibilidade de empresa realizar aquisições para se fortalecer no mercado nacional.

"Nossa tarefa é encantar mais e mais os consumidores. E esse projeto tem dois pilares: inovação e possíveis aquisições", disse Bernardo Wolfson, presidente-executivo da operação no Brasil, lembrando que a Melitta é a primeira marca nacional em café a vácuo, "o segmento que mais cresceu nos últimos anos" e que representa cerca de 30 por cento do mercado.

Ele não deu mais detalhes sobre o plano de aquisições.

A empresa aposta também em cafés especiais para ampliar seus negócios.

Qualidade do café

Wolfson disse que a qualidade da produção de café do Brasil tem melhorado nos últimos anos, e está especialmente boa na temporada atual. "O mais importante é que a qualidade da safra será excelente", disse.

Do total das compras globais de café realizadas pela Melitta anualmente, a fatia do Brasil corresponde a 75 por cento, acrescentou o Bentz, comentando ainda que em função dos custos elevados do café colombiano a Melitta suspendeu as compras do produto da Colômbia desde o ano passado.

Mas ele não especificou quanto o grão brasileiro pode ter ocupado em espaço nas compras da companhia em função disso.

Fonte: Exame