16/10/12 - Com renda maior, brasileiro come mais fora de casa

Aumento da classe média no país trouxe impacto positivo ao setor de refeições que deve crescer 12,5% este ano

A correria do dia a dia faz com que o brasileiro se alimente cada vez mais fora de casa, o que torna o setor um dos que mais cresce no Brasil, com previsão de 12,5% para este ano. As receitas de pontos de venda de refeições prontas saltaram de 13% a 17% ao ano nas últimas duas décadas, mas não falta espaço para novos estabelecimentos. No País, 31% consomem comida na rua semanalmente, número que deve atingir 50% até 2020, de acordo com o Portal Alimentação Fora do Lar.



O número de estabelecimentos chegou a 1,5 milhão no fim do ano passado, motivado principalmente pela consolidação da mulher no mercado de trabalho e pelo crescimento da renda do brasileiro. Apenas no setor de fast food, foram abertos 18.399 novos restaurantes no País em 2011, de acordo com pesquisa da Central Mailing List.

No Paraná, os gastos com esse tipo de consumo chegaram a R$ 5 bilhões em 2011, segundo a regional do Norte do Estado da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Em Londrina, a receita foi de R$ 341 milhões.

Antonio Carlos De Faria, responsável pela publicação do Anuário Brasileiro da Alimentação Fora do Lar e do Portal Alimentação Fora do Lar, afirma que o crescimento do setor é real e deve continuar. Ele diz que o aumento da renda familiar está diretamente ligado ao maior consumo de refeições prontas.

Para exemplificar, conta que a classe com renda de até R$ 400 gasta 12% do valor com alimentação na rua. Quando o trabalhador ganha de R$ 1 mil a R$ 1,2 mil, essa fatia passa a 21% e, quando recebe mais de R$ 4 mil, é de 37%. "A ampliação da classe média no País tem impacto no costume de comer fora de casa."

O diretor executivo da regional do Norte do Paraná da Abrasel, Arnaldo Falanca, afirma que o setor ainda se prepara para atingir o ápice em cinco anos. "Hoje há falta de mão de obra especializada e, apesar de existir uma profissionalização maior no momento do que há cinco anos, ainda é preciso mais, como chef especializado de cozinha e cardápios em várias línguas."


Mudança histórica

Antonio Carlos De Faria diz que a mulher "se libertou da clausura de ser dona de casa" há cerca de 50 anos, o que diminuiu o número de pessoas que almoçam em seus lares. "Em 2000, 44% das mulheres estavam no mercado de trabalho e hoje são 54%."

Tanto que o tempo médio de preparação de uma refeição caiu de duas horas e 15 minutos para apenas 15 minutos, segundo ele. Para Falanca, cozinhar em casa passará a ser incomum. "O fogão ainda vai virar peça de decoração", brinca.

Opções variadas

É a necessidade de rapidez no consumo o que faz o empresário Claudio Massami Missaka, proprietário do La Francine's Buffet, considerar que o momento é de estabilidade no próprio restaurante. "Hoje existem lugares que vendem sanduíches, panquecas, batatas recheadas, pizzas, e as pessoas têm pressa em comer."

O tipo de estabelecimento que mais incomoda Missaka, entretanto, são os supermercados. "A concorrência deles é desleal, porque o custo de matéria-prima é menor e vendem a refeição pronta muito barata. E, muitas vezes, não há nem espaço para sentar no local", reclama. Mesmo com a concorrência, ele precisou dobrar o tamanho do restaurante em uma das duas reformas que fez desde 1993 e diz que ampliou o movimento em 50% desde 2004, no Centro de Londrina.

Falanca conta que a venda de sanduíches e de marmitex cresce bastante em Londrina. "São produtos elaborados, mas rápidos, que tentam fugir da visão de que fast food precisa ser pouco nutritivo".

Fonte: Folha de Londrina