06/12/11 - Alimentação puxa alta do custo de vida em SP

O ICV (Índice do Custo de Vida), que reflete a inflação no município de São Paulo, subiu 0,52% em novembro, ante alta de 0,31% em outubro. O cálculo foi realizado pelo Dieese, Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, e divulgado nesta terça-feira (6).

A inflação acumulada pelo ICV geral, nos últimos 12 meses é de 6,24%. No ano, o acumulado corresponde a 5,56%. O grupo que mais pressionou na alta foi alimentação, com elevação de 1,55% e variações de 2,49% nos subgrupos alimentos in-natura e semielaborados, produtos da indústria alimentícia (0,68%) e alimentação fora do domicílio (0,99%). O grupo vestuário também registrou elevação acentuada, de 0,41%.

Segundo o Dieese, as menores taxas foram verificadas nos grupos habitação (0,10%) e transporte (0,14%), enquanto o grupo equipamento doméstico recuou 0,12%.

Cesta Básica

O preço da cesta básica subiu em 15 das 17 capitais pesquisadas pelo Dieese, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, em novembro, segundo divulgação na segunda-feira (5).

Porto Alegre e São Paulo continuam sendo as cidades onde a cesta básica têm o maior custo: R$ 279,64 e R$ 276,31, respectivamente.

As maiores altas foram apuradas em Vitória (4,73%), Fortaleza (3,91%) e no Rio de Janeiro (3,86%). Houve queda apenas em Aracaju (-0,49) e em Salvador o valor permaneceu estável.

João Pessoa (R$ 198,26) e Aracaju (R$ 181,79) foram as capitais onde os produtos básicos custaram menos de R$ 200.

Segundo o Dieese, a carne bovina e tomate foram os produtos que tiveram aumento generalizado (15 capitais), com pressão ainda dos custos do arroz e o café (14).

A carne é o produto de maior peso na composição da cesta e apresentou taxas maiores em Vitória (6,97%), Florianópolis e Fortaleza (ambas com alta de 4,72%). Já o preço do tomate é sujeito a grandes oscilações, especialmente devido ao clima.

A análise do departamento aponta, entretanto, para uma possível queda no preço da carne no curto prazo. O aprofundamento da crise financeira mundial (que reduz as exportações do produto), e as chuvas que favoreceram as pastagens (e aumenta o peso do gado ampliando a oferta), pode resultar em relativa queda no preço do mercado interno.

SALÁRIO

Com base no maior valor apurado para a cesta e levando em consideração o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deve suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estima mensalmente o salário mínimo necessário, que em novembro correspondeu a R$ 2.349,26 (4,31 vezes o salário mínimo vigente, R$ 545), valor superior ao de outubro (R$ 2.329,94).

Em novembro de 2010, o mínimo era estimado em R$ 2.222,99 (4,35 vezes o mínimo em vigor, de R$ 510).

A jornada de trabalho (do assalariado que ganha salário mínimo) necessária para a aquisição da cesta total foi, em novembro, de 96 horas e 13 minutos, pouco mais do que no mês anterior, que era de 94 horas e 04 minutos. Em novembro de 2010, a jornada exigida era maior, ficando em 98 horas e 12 minutos.

CUSTO DA CESTA BÁSICA EM NOVEMBRO, EM R$:

Natal - R$ 206
Salvador - R$ 205,11
Vitória - R$ 263,91
Rio de Janeiro - R$ 261,69
Florianópolis - R$ 268,57
São Paulo - R$ 276,31
Fortaleza - R$ 206,44
Porto Alegre - R$ 279,64
Belém - R$ 242,82
Curitiba - R$ 253,19
Aracaju - R$ 181,79
Belo Horizonte - R$ 256,70
Goiânia - R$ 233,67
João Pessoa - R$ 198,26
Brasília - R$ 249,13
Manaus - R$ 258,32
Recife - R$ 210,52

Fonte: Folha.com

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