| 02/12/11 - Pequenos padeiros têm a receita para lucrar no Natal |
|
Os primeiros panetones de Julice Vaz foram feitos na infância, no interior de São Paulo, quando a garota ajudava a mãe nas fornadas destinadas a presentear parentes e amigos no final de ano. Hoje, saem do forno de sua padaria, a Julice Boulangère, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, nas versões laranja, limão siciliano e passas ou chocolate belga. "O panetone artesanal é a combinação do fermento natural, bons ingredientes e um processo super rigoroso", conta Julice. Formada em Letras e Filosofia da Arte, não passava pela cabeça da professora de Inglês se tornar uma especialista em pães. O gosto pela atividade e os estudos de panificação na Faculdade Anhembi Morumbi e no São Francisco Baking Institute alavancaram o conhecimento de Julice a ponto de levá-la a mudar de atividade. Testou receitas durante três anos numa cozinha improvisada nos fundos da casa e, desde fevereiro, trocou definitivamente as salas de aula pela padaria. Em sete meses, a Julice Boulangère atingiu o faturamento previsto para um ano. Ela produz 33 tipos de pão. Para isso, tem uma equipe de seis funcionários na padaria e cinco na confeitaria.
São duas as versões produzidas, sem frutas cristalizadas ou essência de panetone. Uma é de chocolate e a outra inclui gengibre cristalizado, damasco e amêndoas na massa. Esta última veio da padaria Wild Flower Backery, da cidade de Freestone, na Califórnia, onde Rosa viveu e trabalhou por cinco anos. Lá ele trabalhou com vários produtos orgânicos, o que o fez mergulhar nos conceitos dessa alimentação. Formado em hotelaria, o padeiro-empresário viveu por uma década entre a Europa, a Polinésia Francesa e a Califórnia. De volta ao Brasil em 2006, começou a acalentar o projeto de abrir um negócio próprio ligado aos orgânicos, uma novidade para boa parte dos consumidores e por ser um conhecedor do tema. Embora sabendo que o pão francês é um dos principais produtos consumidos pelos brasileiros, Rosa não queria produzir o carro-chefe das 64 mil padarias afiliadas à Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip). Dois fatores deram o empurrão definitivo para a abertura do negócio. O fato de os brasileiros consumirem 33,5 quilos de pão por ano, enquanto argentinos comem, em média, 70 quilos, e os chilenos, 90, de acordo com a Abip. Ou seja, há espaço para crescer. Outro foi o fortalecimento do movimento pela alimentação saudável. O empresário investiu R$ 150 mil, com recursos próprios e de familiares. Na Pão, o foco principal é o pão feito com farinha integral - a exceção são os brioches e o pão de forma produzidos com farinha branca. A padaria consome 1 toneladas de farinha por mês, fornecida pela cooperativa paranaense Guebana, certificada como produtora orgânica. Segundo Rosa, o processo de produção do pão é quase todo manual. A exceção é uma máquina que mistura grandes quantidades de farinha e água. Depois, a massa é dividida em porções menores, trabalhadas pelos padeiros. São três lojas, duas nos Jardins e uma no Shopping Iguatemi. Outra padaria deve ser aberta na Vila Madalena, em 2012. Os pontos comerciais são alugados e a equipe é enxuta: dois padeiros e dois confeiteiros. Mas a seguir o ritmo de crescimento de 30% ao ano, apenas com divulgação boca a boca, Rosa vai precisar mais farinha e mais mãos para amassar os pães artesanais. |