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Assim como a Argentina que oferece um roteiro para os turistas conhecerem o vinho e a Escócia com o whisky, percebeu-se que Minas Gerais poderia realizar o mesmo e que havia uma carência de valorização do produto. Foi então que criaram o projeto, que selecionou 16 bares e restaurantes, quatro lojas de bebidas e três alambiques para fazer parte do roteiro. Todos eles seguem normas e critérios pré-determinados, como a apresentação de uma carta de cachaças artesanais de Minas, com 50 marcas, no mÃnimo, e pratos especiais preparados à base da bebida. Minas Gerais é lÃder na produção de cachaça de alambique, são 8.500, eles produzem 250 milhões de litros por ano, volume que representa 50% da produção nacional. De acordo com Júlio Pires, presidente-diretor da Belotur, o projeto, além de apresentar o produto tÃpico de Minas ao turista, quer atrair investimentos e impulsionar os diversos estabelecimentos do ramo: "Semanalmente, Belo Horizonte recebe aproximadamente 15 mil turistas. Ao integrar a oferta de cachaça artesanal tipicamente mineira, poderemos revelar a esse público, de forma organizada, um de nossos produtos mais tradicionais". Para Miguel Murta de Almeida, dono do bar participante do roteiro Via Cristina, a "cachaça mineira é mesmo uma coisa a se decifrar", por isso a importância do projeto. Rubens Beltrão, do bar Inusitado, também comentou sobre a iniciativa: "A cachaça é tão importante para a gente quanto o rum é para Cuba. E hoje ela cresceu de importância, cresceu de nome". Expocachaça - A cidade também recebeu, entre os dias 14 e 17 de outubro, a Expocachaça Dose Dupla, 14a edição do evento e 2a edição do ano. Ela aconteceu na Serraria Souza Pinto, local onde o evento era realizado quando surgiu, em 1998. Com a presença de produtores e comerciantes que fazem parte do Cachaçatur, a feira serviu também para apresentar o roteiro. Os visitantes receberam informações sobre ele no estande do projeto e podiam aproveitar para degustar algumas cachaças artesanais. Até o terceiro dia, o evento já havia recebido 30 mil pessoas e movimentando R$ 3 mi em produtos, insumos e equipamentos. José Lúcio Mendes, diretor de marketing e um dos organizadores da Feira, comentou sobre a importância do Cachaçatur - ele participou da criação do projeto: "Seria difÃcil entender a presença de estrangeiros e empresários, que vão aparecer com a Copa e as OlimpÃadas, sem a existência de um roteiro da cachaça. Seria um crime não criar embaixadores desse produto no exterior. Ninguém vai querer comprar algo lá fora sem conhecer antes", disse ele sobre a possibilidade de aumentar as vendas do produto no exterior com a divulgação promovida pelo roteiro. José Francisco de Salles Lopes, diretor de Estudos e Pesquisas do Ministério do Turismo, também estava presente e comentou sobre o cachaçatur: "É um instrumento excepcional para a divulgação da cachaça. Se trata de uma bebida brasileira cuja expansão vai depender muito da nossa capacidade de mostrá-la como produto de consumo global. A ocasião marcou também o inÃcio da Campanha de Valorização e Formalização da Cachaça, com apoio do Sindbebidas\FIEMG, cujo objetivo é diminuir a informalidade na produção da bebida, assim como os riscos e prejuÃzos da produção informal, como os causados à saúde do consumidor, ao meio ambiente e à economia. Segundo José Lúcio, 57% da produção de cachaça no Brasil ainda está na informalidade.  |