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A gestora de investimentos GP anuncia que passou a deter 100% da rede de churrascarias Fogo de Chão. A GP já era dona de 35% das ações desde 2006. Em vez de sair do negócio, o que é esperado de um fundo de private equity, a gestora decidiu comprar o restante das ações, que estavam nas mãos dos fundadores, os irmãos Coser. O Estado apurou que a GP pagou cerca de R$ 180 milhões pela nova fatia da rede.
O fundo decidiu ficar porque ainda vê boas perspectivas de crescimento tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos - país de onde vem boa parte de seu faturamento. Além disso, a rede de churrascarias mostrou-se um negócio interessante pelo alto nível de rentabilidade gerado. Segundo Danilo Gamboa, sócio da GP, a margem de lucro é superior a 20%, acima da média do mercado. A Fogo de Chão vai financiar a aquisição, já que tem uma ampla capacidade de endividamento devido à sua geração consistente de caixa, explica o comunicado.
Com 23 restaurantes (16 nos EUA e sete no Brasil) e 1800 funcionários, a Fogo de Chão mais do que dobrou de tamanho nos últimos cinco anos. O crescimento acelerado coincidiu com a entrada do fundo. Mas esse avanço teria sido ainda maior não fosse a crise financeira. Em 2009, diante das incertezas da economia, a rede congelou seu plano de crescimento para o ano seguinte. E só voltou a abrir lojas no ano passado. 'Vimos que, mesmo com a crise, a companhia continuou dando um resultado espetacular. Isso deu segurança para continuar', explica Gamboa.
Expansão
Agora, a rede espera abrir, a cada ano, duas a três unidades nos EUA e Brasil. Nos próximos meses, tem inaugurações em Orlando e Las Vegas. Para Larry Johnson, presidente da Fogo de Chão desde 2007, a companhia tem potencial para mais que dobrar seu tamanho nos mercados onde atua - abrindo 30 a 40 restaurantes, sem contar eventuais aberturas em novos países.
A Fogo de Chão planeja expandir para o Canadá, embora não tenha uma data definida para colocar o plano em ação. 'Já estamos olhando. O Canadá, pela proximidade com os EUA - temos restaurantes no norte do país - é um caminho natural', afirma Gamboa, que revela ainda que a Ásia também está nessa lista. 'A rede sempre foi muito procurada por asiáticos. Fora do Brasil, as pessoas estão cada vez mais interessadas na cultura brasileira. E o churrasco é parte dessa cultura', diz.
O projeto de abrir o capital na bolsa não foi abandonado, segundo Gamboa. 'A empresa já tem tamanho e todas as capacidades internas para abrir capital, principalmente na bolsa dos EUA, que tem espaço para empresas do porte da Fogo de Chão (no ano passado, a empresa faturou US$ 170 milhões)', diz o sócio da GP. 'O que falta agora é enxergar o melhor momento.'
Quando a GP entrou no negócio, o gaúcho Arri Coser - que fundou a rede de churrascarias em 1979 ao lado do irmão - já tinha demonstrado a intenção de ver a empresa andando sem o dono. A GP ajudou a companhia a se profissionalizar e a criar um conselho de administração.
Trajetória
Coser saiu da Serra Gaúcha aos 14 anos para ganhar a vida. Foi trabalhar como garçom no Rio de Janeiro ao lado do irmão mais velho. Aos 17, abriu a primeira loja da rede, em Porto Alegre. O negócio foi aberto graças às economias dos irmãos e a uma bem vinda ajuda do pai. Na época com 50 anos, ele apostou 50% da poupança de uma vida inteira no restaurante dos filhos.
O negócio fez sucesso porque se diferenciou das outras churrascarias da região. A Fogo de Chão foi uma das primeiras a ter ar condicionado no salão, o que era raro nos restaurantes do gênero, e a oferecer peças de carne individuais e um bufê de saladas - uma de suas marcas até hoje. O atendimento também é uma das razões do sucesso dos irmãos Coser. Hoje, um garçom passa por um treinamento de, no mínimo, seis meses.
Fonte: O Estado de São Paulo
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