18/07/2011 - Violência deixa empresários em situação de risco

Assaltos ameaçam fechar os restaurantes e outros estabelecimentos em Maceió

 

Os impiedosos e sorrateiros ataques de larápios a alguns dos estabelecimentos comerciais situados em bairros como Stella Maris, Jatiúca e Ponta Verde contribuíram para que a Polícia Militar (PM) “quebrasse a cabeça” e fizesse opção pela adoção de “nova” estratégia de proteção ao patrimônio, na região onde há maior concentração de renda na capital.

 

Depois da cobrança do empresariado pela presença ostensiva de policiais ao redor de seus negócios, os estrategistas da corporação chegaram à conclusão de que um telefone móvel contendo a relação dos telefones dos comerciantes contribuiria para agilizar o acesso da viatura policial ao local do socorro.

O celular, uma viatura e duas motocicletas (equipamentos já disponíveis nos batalhões da corporação) serão deslocados para um determinado quadrante (área de 2,5 quilômetros quadrados), onde 5 policiais terão a missão de chegar com mais rapidez ao local das ocorrências, envolvam elas empresários, consumidores ou moradores quaisquer.

 

Donos de empresas têm medo

“Não deixo dinheiro em caixa. Não confio em todo mundo que aparece aqui. Sou muito discreta ao entrar e sair da empresa. Vivo meio assustada com a grande movimentação popular e rara presença da polícia”. O relato, em tom de desabafo, é de uma comerciante da Avenida Amélia Rosa, que pediu à Gazeta para não ter o nome revelado.

 

A empresária comercializa alimentos da cozinha nordestina. Nunca foi assaltada, mas é testemunha do drama vivido por muitos dos empresários daquela localidade. Para não engrossar as estatísticas da criminalidade que espalha medo pelos bairros da capital, ela gasta, em média, R$ 1.500 com segurança particular.

 

O dinheiro que desfalca a contabilidade do negócio é distribuído entre dois vigilantes, um dos quais atua dentro da empresa, representando o papel de um cliente. “Come carne, toma refrigerante e trabalha como se fosse um cliente, mas sua missão é prestar atenção ao movimento dentro e fora do nosso estabelecimento”, confessa.

 

Negócios estão ameaçados

Do outro lado da Amélia Rosa, a reportagem manteve contato com outro comerciante muito desconfiado. Primeiro, identificou-se como parente do dono. Depois, falou a verdade. “Sou dono sim da empresa, mas nada de colocar meu nome em jornal. Não quero foto também, por favor”, avisou.

 

Ele nunca ficou cara a cara com o malandro, mas sua microempresa (pediu para não ter o ramo identificado) já foi arrombada algumas vezes, pelo frágil telhado. “Felizmente, levaram apenas objetos de pouco valor. Além do velho computador, tem muita panela velha. São coisas de pouco valor”, explicou.

Morador do bairro há 38 anos, diz ter saudades dos tempos de calmaria. Explica que seus dois seguranças lhe garantem tranquilidade. Seguranças? Que seguranças? “Estes dois anjinhos aí pintados no tapete da porta da empresa. Eles é que me protegem. Depois deles, só Deus mesmo para nos livrar do aperreio”.

 

Implantação da modalidade de segurança anima a Abrasel

O representante em Alagoas da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) João Eutímio Brandão Júnior, confirmou à Gazeta que a implantação da nova modalidade de segurança é fruto das inúmeras cobranças e envio de ofícios à Secretaria de Defesa Social (Seds), pedindo providências com urgência.

“Depois de muitas reclamações, eles passaram 45 dias analisando o pleito. Estamos confiantes e acreditamos que a ideia vai dar certo”, diz João Eutímio.

 

Defensor dos interesses comerciais de 120 empresários associados à Abrasel, ele informa que, num primeiro momento, a estratégia de policiamento militar com trabalho 24 horas, dividido em quadrantes (de 2,5 quilômetros), abrangerá a área onde estão 22 das empresas cujos proprietários temem a marginalidade. “A gente nunca teve muita sorte com o 190”, diz o presidente da associação, fazendo referência ao número disponibilizado pela PM para recepção de denúncias ou pedidos de socorro da população em geral ou de comerciantes.

 

Fonte: Gazeta de Alagoas