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 Os grupos armados que assaltam estabelecimentos de entretenimento na capital paulista costumam agir no fim da noite ou no inÃcio da madrugada, quando o número de clientes é menor mas ainda há um bom número de clientes para roubar, de acordo com os registros de ocorrência. Os criminosos rendem a segurança do lugar e levam todos os objetos dos clientes: carteiras, joias, celulares e o dinheiro, que também é colhido nos caixas dos estabelecimentos. Além dos bares e restaurantes, uma casa noturna também foi alvo enquanto fazia o balanço do faturamento da noite.  Segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) seccional São Paulo, os bairros mais afetados são os de alta renda e concentração de turistas, como Moema, Pinheiros, Itaim Bibi, Vila OlÃmpia e Morumbi. "É um desafio, pelos milhares de bares que existem na cidade mas estamos detectando pontos para aumentar o policiamento", disse Ferreira Pinto.  Um dos sócios de um restaurante localizado na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, vÃtima de assalto na terça-feira de Carnaval, critica as declarações do secretário. Para ele, que preferiu não se identificar, a criminalidade é um problema nacional e não atinge apenas quem detém um poder aquisitivo maior. "O secretário fez uma declaração meio incoerente sobre a situação no momento, principalmente porque o PaÃs está evoluindo economicamente. Se ele acha isso, podemos voltar para trás, na época do Ãndio, e andar pelado. Aà não teria problema de grife, de assalto. Se existisse segurança não terÃamos arrastões, assaltos em caixas eletrônicos, assassinatos", disse ele, que viu o movimento no restaurante cair após o assalto comandado por cinco homens armados. Clientes tiveram de entregar joias, celulares, cartões e dinheiro aos bandidos.  Uma psicóloga e cliente do restaurante, que não quis se identificar, afirmou que não mudou nem vai mudar seus hábitos de consumo por causa da onda de arrastões em restaurantes da capital paulista. Ela afirma que tenta se proteger nas ruas dirigindo um automóvel blindado, porém, a criminalidade não tem hora nem lugar. "Temos de tomar cuidado para tudo, mas não quero entrar nessa neurose se não vou ficar presa dentro de casa. Eles (os criminosos) encontram filões que, nesse momento, dá resultado. Tem época que os assaltos a banco são mais frequentes. Depois, são os assaltos a condomÃnios. Agora, a moda são os assaltos a restaurantes", lamenta.  Falta de notificação  Um dos obstáculos ao trabalho da polÃcia para deter o avanço desses arrastões é o que o delegado-geral de polÃcia de São Paulo, Marco Carneiro Lima, chama de uma "cultura de subnotificação". "Pedimos que os donos de estabelecimentos não relutem em registrar as ocorrências para que a polÃcia tenha condições mÃnimas de trabalhar, o que não acontece quando não se registra as ocorrências. Para o diretor jurÃdico da Abrasel, Percival Maricato, muitas vezes o estabelecimento não tem outra escolha que omitir a ocorrência. "O estabelecimento fica entre a cruz e a espada. São 50 mil estabelecimentos em que o dono, quando pode, não informa a polÃcia porque isso compromete o fluxo de clientes", diz.  Pela relutância em registrar estas ocorrências, o número pode ser muito maior. A falta de registro de ocorrência pode ocasionar o prejuÃzo do mapeamento e da prevenção deste tipo de crime. Outra recomendação das autoridades é que o dono ou gerente de restaurante ligue para o 190 ao perceber algum movimento suspeito, como um carro que passe repetidamente em frente ao estabelecimento. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, quando acionada, a PolÃcia Militar pode enviar uma viatura para constatar a suspeita no local e evitar o assalto.  Fonte: Portal Terra |