| 10/05/2011 - A hora do cafezinho é agora |
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Mas as possibilidades de crescimento de cafeterias não se limitam à Capital, afirma Natan Herszkowicz, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic). Ele afirma que outras cidades catarinenses, como Joinville, Blumenau, Chapecó, Balneário Camboriú e São José, têm público para este mercado.
O presidente da regional estadual da Associação Brasileira de Bares e Restaurante (Abrasel), Fábio Queiroz, diz que, além do mercado aumentar, os clientes têm ficado mais exigentes. Eles não aceitam mais o chamado “pingado”. Os comerciantes tiveram de se especializar e agora trabalham com o café gourmet.
O crescimento do mercado é uma realidade nacional. Conforme a Abic, o consumo no país em 2010 teve o melhor desempenho em 35 anos, atingindo 4,81 quilos anuais de café torrado por habitante, alta de 3,5% em relação ao ano anterior.
Maior exportador de café, o Brasil passa à frente, em consumo, de países como Itália e França, mas ainda fica longe dos nórdicos, onde a média é de 13 quilos por pessoa. E a tendência é que esse crescimento continue, alavancado por uma resolução do Ministério da Agricultura que passou a vigorar no final de fevereiro. Conforme a Instrução Normativa 16, de maio de 2010, foi estabelecido o Padrão Oficial de Classificação do Café Torrado em Grão e Café Torrado e Moído.
Entre as exigências, está a determinação do percentual máximo de umidade (5%), impurezas (1%) e misturas (0,1%) no produto. Como impurezas, por exemplo, são consideradas cascas, paus e restos de folha do cafeeiro. Já as misturas envolvem itens como sementes de milho, açaí e fragmentos metálicos do moinho do café.
A nova legislação busca evitar fraudes, despertar no consumidor um gosto mais apurado e aprimorar o produto. Até 2013, o Ministério da Agricultura pretende formar 340 profissionais especialistas em reconhecer as características do café, o que reforçará o controle de qualidade.
"Queremos intensificar a fiscalização para chegar a ter cafés com, no mínimo, grau 4 de qualidade, em uma escala de 0 a 10, dentro de dois anos", diz Manoel Bertone, secretário de Produção e Agroenergia do Mapa.
Natan Herszkowicz, da Abic, lembra que a variação gourmet surgiu no final da década de 1990, quando produtores do sul de Minas Gerais selecionaram grãos de melhor qualidade. O movimento foi seguido pelos concorrentes e, desde 2004, existe um selo para regular este setor. A afirmação ocorreu quando as grandes redes de supermercados passaram a oferecer pacotes de café gourmet, e hoje existem 110 marcas com o selo.
Os primeiros estabelecimentos a oferecer a variedade surgiram em SP. Hoje, são 3 mil no país. Em SC, o café gourmet chegou em 2005. O pesquisador da Embrapa Café Carlos Henrique de Carvalho considera que produtores e donos de cafeterias estão fazendo um trabalho para repetir o que ocorreu com o vinho. O barista, profissional especialista em café gourmet, também fala em como clima, maneira de secamento, altitude e temperatura podem influenciar no sabor do grão. Ele explica que o primeiro movimento é formar pessoas que consigam entender e apreciar as variedades oferecidas no mercado. Em seguida, ampliar o público e os rendimentos.
Fonte: Diário Catarinense
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