05/05/2011 - AmBev diz não temer venda da Schin para grandes grupos mundiais

Cervejaria, líder no mercado brasileiro, acredita que entrada de grandes empresas ajudará no combate à informalidade

 

A venda da Schincariol, segunda maior cervejaria do País, deve deixar um pouco mais difícil a vida da AmBev, líder absoluta no mercado brasileiro de cerveja, com 68% de participação de mercado.

 

Mas a empresa declarou que vê com bons olhos a vinda de grandes concorrentes globais para o País.

 

Ao ser questionado ontem sobre a venda de seu concorrente, durante teleconferência com jornalistas, o diretor financeiro da AmBev, Nelson Jamel, afirmou que o fortalecimento de grandes empresas contribui para a formalização do mercado no Brasil, o que será positivo para o setor como um todo e para a companhia.

 

Por conseguirem fugir de impostos, as empresas informais podem vender mais barato, o que dá a elas uma vantagem competitiva desleal em relação aos grandes grupos, que têm, a seu favor, a produção em larga escala.

 

"Guerra Fria"

 

Segundo apurou o iG, a Heineken, que já é dona da FEMSA no Brasil, é a candidata mais forte, mas também estão no páreo para comprar a Schincariol a SAB Miller e a Carlsberg, duas outras gigantes mundiais do setor.

 

Hoje, a AmBev, que é controlada pela maior cervejaria do mundo, a AB ImBev, não disputa a liderança do mercado brasileiro com um competidor global, com fôlego financeiro semelhante ao seu. A Schin é a segunda colocada no ranking e a Petrópolis, dona da Itaipava, está em terceiro.

 

Segundo analistas, as grandes companhias de capital aberto, sobretudo as multinacionai, devem satisfação aos seus acionistas e não “rasgam dinheiro”. Isso quer dizer que elas vão buscar proteger a rentabilidade a deflagrar uma guerra de preços. Para analistas, um grupo internacional tende a tomar decisões mais racionais que uma empresa de controle familiar.

 

Nesse aspecto, a venda da Schin para uma grande multinacional é um ponto positivo para a AmBev.

 

Contudo, o analista do banco Barclays, em um relatório sobre o impacto da venda da Schinacriol intitulado "Guerra Fria", acredita que, apesar de alguns pontos a favor, uma grande empresa sempre terá mais força financeira que os concorrentes locais, o que será uma desvantagem para AmBev.

 

Fonte: Claudia Facchini, iG São Paulo