05/05/2011 - AmBev perde participação de mercado após elevar preços

 

Cervejaria, dona das marcas Skol, Brahma e Antarctica, perdeu mercado para a Itaipava e Heineken

 

A AmBev, dona das três marcas de cerveja mais vendidas do País, Skol, Brahma e Antarctica, perdeu participação de mercado, enquanto a Petrópolis, dona da marca Itaipava, e a Heineken/FEMSA, dona das marcas Heineken, Kaiser e Sol, ganharam consumidores.

 

Em conferência com jornalistas realizada há pouco, o diretor financeiro da AmBev, Nelson Jamel, afirmou que a participação de mercado da companhia caiu de 69,3% no primeiro trimestre de 2010 para 68,3% nos três primeiros meses deste ano.

 

“A Schincariol também perdeu participação, com uma queda de 0,6 ponto percentual no primeiro trimestre. A participação da Petrópolis cresceu 1,1 ponto percentual e a da FEMSA (Heineken) subiu 0,4 ponto percentual”, disse o executivo, que não revelou a participações absolutas de cada um de seus concorrentes em sua pesquisa.

 

A queda na participação de mercado da AmBev reflete o aumento de preços promovido pela cervejaria. Os consumidores estão pagando cerca de 8% mais caro pela cerveja nos pontos de vendas este ano.

 

Os assalariados, em compensação, já não têm tanto dinheiro sobrando no bolso, já que o reajuste do salário mínimo, de 6%, não trouxe aumento do poder de compra. E renda, diz Jamel, é a variável mais importante para o consumo de cerveja.

 

AmBev diz não temer venda da Schin para grandes grupos mundiais

Para 2012, ao contrário, espera-se uma explosão no consumo, já que a nova fórmula de cálculo do salário mínimo deve elevar os rendimentos em 13% ou 14%, afirmou o diretor da AmBev;

 

Em volume, as vendas de cerveja da AmBev ficaram praticamente estáveis, com um aumento de apenas 0,2% em relação ao primeiro trimestre de 2010. A receita obtida por hectolitro vendido cresceu 11,7% em decorrência dos reajustes. Esse reajuste, porém, não foi suficiente ainda para repor todos os custos, que aumentaram 12,4%, disse Jamel.

 

No fim do ano passado, a AmBev reajustou os preços para compensar o forte aumento das matérias-primas, como alumínio, açúcar, e embalagem PETs. A inflação nos custos da matérias-primas já acumula uma alta de 50% nos últimos dozes meses, afirmou Jamel.

 

Em maio, a empresa promoveu um novo aumento nos preços, entre 1,5% e 2,5%, mas, desta vez, para compensar a elevação dos impostos pelo governo. A carga tributária (PIS e Cofins) aumentou em 11% cervejas e entre 17% e 19% para os refrigerantes.

 

Novos reajustes

 

Os reajustes feitos neste mês, disse Jamel, cobrem o aumento dos impostos, mas a empresa não descarta realizar novos aumentos. “Isso vai depender do comportamento dos preços das matérias-primas”, afirmou o executivo.

 

O movimento de alta nos preços das matérias-primas não dá sinais de arrefecimento no mercado internacional, impulsionado, em parte, pela política dos países desenvolvidos, que estão gerando um excesso de liquidez para reativar a economia.

 

Investimento

 

A AmBev prevê investir R$ 2,5 bilhões em 2011. Jamel afirmou, contudo, que a empresa está "monitorando" o mercado e pode adiar os desembolsos caso a demanda não apresente sinais de reação.

 

A empresa espera, no entanto, que haja um forte reação do consumo 2012 com novo reajuste do salário mínimo. E, para atender essa demanda, a AmBev precisará ampliar sua capacidade de produção

 

Fonte: IG Economia