18/04/2011 - São Paulo fecha cerco a álcool para menores

 

Depois do cerco ao cigarro, na gestão José Serra, São Paulo deverá começar agora uma guerra contra o álcool.

 

As medidas do governo Geraldo Alckmin (PSDB) estão sendo comparadas nos bastidores à Lei Antifumo e a promessa é que sejam lançadas ainda neste semestre.

 

Um dos principais focos da ação será o aumento da fiscalização em bares para coibir a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos.

 

Também serão criadas sanções que podem levar a multas e até causar a interdição de locais flagrados vendendo bebidas para menores de 18.

 

A composição da equipe de fiscalização ainda será definida. A reportagem apurou que é provável que seja a mesma que hoje verifica o cumprimento da Lei Antifumo-- técnicos do Procon e da Vigilância Sanitária.

 

Mais fiscais devem ser contratados. Também haverá ações nas escolas estaduais.

 

Um grupo executivo, que se reúne há mais de um mês na Secretaria de Estado da Saúde, planeja campanhas e a realização de testes psicológicos com os estudantes para verificar casos de dependência.

 

A secretaria não deu detalhes de como será o trabalho. Mas disse que a ação envolverá médicos do Hospital das Clínicas e da Faculdade de Medicina da USP, além da equipe do Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas), ligado ao governo do Estado.

 

Internações

 

A preocupação de Alckmin é justificada por dados que mostram que, no ano passado, a cada dois dias, um jovem de 10 a 19 anos foi internada por doença relacionada ao álcool em hospitais do SUS no Estado.

 

"É alarmante. Um reflexo de que estão bebendo cada vez mais cedo. Os menores têm livre acesso ao álcool. Há uma falta de fiscalização sobre os bares", afirma Marta Vaz, diretora do Cratod.

 

"Hoje, quem fiscaliza é a polícia, o Conselho Tutelar, o Ministério Público. É tanta gente incumbida disso que ninguém de fato faz o trabalho", diz o pediatra Luiz Alberto Oliveira, coordenador de atenção às drogas da capital.

 

Os reais efeitos de beber precocemente, entretanto, costumam surgir mais tarde. Entre 20 e 24 anos, há mais de uma internação por dia.

 

Ao todo, 27.812 pessoas foram internadas em 2010 por causa do consumo excessivo de álcool. Isso gerou um gasto de R$ 22,8 milhões aos cofres públicos.

 

Fonte: Agora São Paulo