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Goiânia - Trabalhar em bares e restaurantes vai muito além de equilibrar copos e pratos em uma bandeja, receber o pagamento do cliente ou lidar com utensílios e alimentos na cozinha. Segundo a Associação Brasileira dos Bares e Restaurantes em Goiás (Abrasel-GO), a falta de qualificação é principal fator para justificar a sobra de quase 4 mil vagas para auxiliares de cozinha, cozinheiros e, principalmente, garçons no Estado, déficit que acompanha o surgimento de novos bares na Capital. “Desde 2008, surgiram mais 500 bares e restaurantes só em Goiânia e que passaram a compor um universo de 10 mil estabelecimentos na região metropolitana”, diz Rafael Carvalho, presidente da Abrasel.
Acostumado com uma rotatividade de três mil clientes por noite, Fortunato de Castro, um dos maitres do Celso&Cia, diz que nos estabelecimentos movimentados o ideal é que cada garçom atenda entre cinco e sete mesas. “É claro que Goiânia enfrenta uma crise no que diz respeito à falta de qualificação profissional. Mas vemos muitos bares e restaurantes que sobrecarregam o garçom, o que acaba prejudicando o atendimento ao consumidor”, ressalta Castro. Atualmente, o local onde trabalha, que disponibiliza 150 mesas, conta com 21 garçons, cinco comins (auxiliares de garçom) e dois maitres.
Com o quadro de funcionários completo, os salários dos garçons do bar variam entre R$ 1,7 mil e R$ 1,8 mil. Para manter os funcionários atualizados com o mercado, o maitre informa que a casa disponibiliza palestras em vídeos, leva alguns funcionários para assistir a palestras fora do bar e ainda realiza cursos internos. “A profissão, especialmente de garçom, exige habilidade, bom atendimento ao consumidor, um bom português, higiene pessoal e até noções de marketing e vendas. Por isso, precisamos sempre estar atualizados”, ensina Castro.
Gleison Silva Pereira, de 28 anos, é um dos alunos do curso de garçom que iniciou ontem. “Sei que existem muitas oportunidades de trabalho nessa área. Os salários não são ruins e ainda tem muita possibilidade de ir subindo de cargo”, ressalta o rapaz, que ontem assistiu a demonstrações de como se postar frente aos clientes. Para o presidente da Abrasel parte da culpa pela falta de profissionais, qualificados ou não, nessa área, e dos programas assistenciais do governo federal. “O salário mínimo para o segmento é de R$ 550 mais benefícios, mas ninguém quer, com tanta assistência”, diz Carvalho. Quanto ao crescimento no setor, que chega à 5% nos últimos três anos, ele destaca que o setor de alimentação fora do lar vem em uma linha ascendente, influenciando toda a cadeia.
O CURSO Por iniciativa do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (Idtech), a Microlins Educação e Profissão começou a ministrar, ontem, um curso para 25 futuros garçons, na Casa Social do Residencial Buena Vista, bairro de Goiânia que conta com 900 famílias. Além das duas entidades, o trabalho também conta com parceria da Secretaria Municipal de Habitação (Smhab), da Abrasel-GO – que ficou a cargo de divulgar os currículos dos alunos, após a conclusão do curso .
Responsável pelo Projeto de Trabalho Técnico Social (PTTS) nos empreendimentos construídos pela Prefeitura de Goiânia, onde abrigam moradores que antes residiam em áreas de risco e de posse na capital, o Idtech informa que, no curso de garçom, serão abordados temas como: estrutura da cozinha, noções de segurança alimentar, técnicas de limpeza, etiqueta e cortesia entre outros assuntos. Em relação ao atendimento, os alunos vão conhecer formas de recepcionar e acomodar o cliente, melhoria na comunicação e resolução de problemas de relacionamento.
Fonte: O Hoje
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