Garçom de Ribeirão quer 10% integrados ao salário

Sindicato afirma que muitos estabelecimentos embolsam a taxa de serviço sem repassá-la ao funcionário

 

Os garçons de Ribeirão e região querem o repasse integral da cobrança do serviço pagas pelos clientes, a popular taxa dos 10%. O objetivo é integrar a gorjeta ao salário.

 

De acordo com o presidente do sindicato dos empregados no comércio hoteleiro, restaurantes, bares e similares de Ribeirão Preto e região, Paulo Donizzete da Silva, o Ministério Público do Trabalho não pode hoje fiscalizar os estabelecimentos por não haver um acordo regularizado.

 

"Muitos lugares não repassam a taxa ao trabalhador. Algumas empresas pagam de 5% a 8% dos 10% recebidos. E outras combinam com o funcionário um salário mensal sem acréscimos", disse Silva.

 

Um garçom que trabalha em uma churrascaria de Ribeirão disse que o patrão paga de R$ 500 a R$ 1.500 mensais, sem repasse da gorjeta. "O cliente paga os 10%, mas a gente não recebe", desabafou.

 

Já o garçom Vanderlei Delgado Faeda, de 40 anos, não vê motivos para reclamar. Ele trabalha há 12 anos na choperia Pinguim e diz estar satisfeito com o recebimento dos 10% do serviço. Mas ele pede que haja regulamentação, para que o salário tenha o total da gorjeta registrado na carteira de trabalho.

 

"No Pinguim, a gente termina de atender e pega a gorjeta na hora. Já cheguei a tirar R$ 4 mil em um mês", afirmou o garçom.

 

O advogado e especialista em direitos do consumidor, José Jerônimo, alerta que a porcentagem do serviço só pode ser cobrada quando o estabelecimento anuncia a cobrança em locais visíveis, como placas ou cardápios.

 

"Hoje é costume ir a um restaurante e pagar pelo serviço, mas, se a pessoa não quiser pagar, ela não é obrigada", disse Jerônimo.

 

Reclamações

 

Outro garçom de bar em Ribeirão, que também não quis ter o nome divulgado, disse que todos os garçons são registrados com o piso salarial de R$ 648. E que recebem a comissão de 6% dos 10% pagos pelo serviço. Os 4% restantes vão para o gerente, exceto uma porcentagem pequena que vai para os funcionários da cozinha.

 

O empregado disse também que o bar contabiliza o os 10% de serviço apenas na primeira semana do mês.

 

"Isso é ruim para a gente, porque só as gorjetas recebidas na primeira semana do mês entram no nosso holerite. Recebemos por fora a comissão das outras semanas, mas não fica nada registrado. Mas não posso reclamar muito, porque tem casas que pagam o funcionário só com os 10%".

 

Fonte: Jornal A Cidade