04/04/2011 - Ruas e calçadas viram cinzeiros a céu aberto

Sem cinzeiros sobre as mesas, as bitucas vão direto para o chão. É assim em bares, restaurantes e lanchonetes de Maringá, algo confirmado por quem trabalha com varrição de ruas. "A gente recolhe bituca demais", conta o gerente do setor de Limpeza Pública da prefeitura, João Fragoso.

O maior volume de pontas de cigarros é visto nas portas de bancos e em bares e lanchonetes do centro da cidade. "O pessoal varre e segundos depois elas aparecem de novo, não tem jeito". O problema é que os tocos do chão são levados pelas enxurradas para as galerias pluviais, despejados em córregos e na rede de esgoto e se transformam em problema ambiental

Com os fumantes impedidos de acender cigarros dentro de bares, sob toldos que protegem as mesas dispostas nas calçadas e ao ar livre perto de aglomerações, as sarjetas na frente dos estabelecimentos se transformaram em um grande cinzeiro. "É uma porquice", reclama Leomar Antônio Ames, dono de bar na Avenida Brasil, no Centro.

As pontas de cigarro não dão sossego ao comerciante, que tem de varrer a calçada todo dia, depois que os clientes vão embora. Ele se queixa de não poder disponibilizar cinzeiro para os fumantes. "Recolheram tudo e agora as bitucas vão para o meio-fio. Com os cinzeiros era bem mais prático para a gente".

Dever

A gerente de Vigilância Sanitária, Dora Lígia Bombo, diz que é dever do proprietário manter a calçada limpa e livre das bitucas.

"Independentemente de o proprietário ter ou não cinzeiro, ele pode ser notificado a manter a calçada limpa", avisa.

Ela comenta que o cinzeiro não é mais usado em função da lei estadual antifumo, de 2009, que proíbe acender cigarro perto de aglomerações, mesmo a céu aberto. Apesar de não haver cinzeiros, Dora avisa que nada impede que o dono do estabelecimento providencie lixeiras aos fumantes.

"Ele pode, e deve, deixar lixeiras baixas, com areia, na calçada". Para a gerente, a lei tem de mudar o comportamento do fumante. "Não adianta querer fazer cumprir a lei por decreto. Quem não tem educação a vida toda jogou bituca na calçada".

O gerente de Limpeza Pública da prefeitura diz que o número de bitucas aumentou depois que os cinzeiros foram banidos das mesas. "Antes, o pessoal fumava dentro do bar e jogava a bituca no cinzeiro. Agora, eles continuam fumando, só que do lado de fora e jogando os tocos na rua".

No esgoto

Além de serem levadas pelas enxurradas a rios e córregos, as bitucas também vão parar na rede de esgoto. Nas peneiras das estações de tratamento da Sanepar, que pré-filtram o esgoto, é comum surgirem tocos de cigarro.

"Elas vêm do mau hábito que as pessoas têm de fumar no banheiro e jogá-las no vaso sanitário", diz o gerente regional de Maringá, Valteir Galdino da Nóbrega.

As peneiras também filtram absorventes, fraldas descartáveis, brinquedos e preservativos. "Por esses materiais não serem orgânicos, eles atrapalham o processo de tratamento biológico".

Legislação

16.239/09 é o número da lei estadual antifumo no Paraná, em vigor desde novembro de 2009

Fonte: O Diário de Maringá

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