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 A falta de mão de obra qualificada na gastronomia é um problema grave, e que hoje se ressalta mais em face do crescimento da economia. E influi diretamente - óbvio -, no turismo. Óbvio porque as pessoas que vistam Sergipe precisam comer bem para voltar. É uma cadeia. E esse talvez seja um dos grandes entraves do turismo sergipano: a falta de investimento.  "E não me refiro exclusivamente aos empresários, mas também ao Governo e ao Sistema S - Senac, Sebrae e Senai - em atender a demanda por capacitação nos diversos nÃveis, questões de segurança alimentar, entre outros", analisa José Roberto Lima, diretor-presidente da Empresa Sergipana de Turismo - Emsetur.  O não investimento em capacitação esbarra num outro problema: a padronização do que é servido aqui. "Em todos os bares da Orla, por exemplo, se serve a mesma coisa: caranguejo, pastel, batata-frita, etc", critica Lúcio de Oliveira, chef, ex-empresário e professor universitário. Para o presidente da Emsetur, isso ocorre em virtude de uma espécie de rodÃzio praticado pelos poucos e melhores profissionais da área.  "Esse é uma consequência da postura de alguns empresários, que é a não motivação em investir no seu funcionário, com receio de que ele troque a empresa em função de uma proposta financeira um pouco melhor", opina José Roberto. É importante destacar que este mercado não paga tão mal assim. "Bares bem movimentados, geralmente, proporcionam remuneração entre R$ 1.200 e R$ 1.500", revela.  BURACO  De fato, há um buraco profundo no segmento gastronômico daqui. A carência de profissionais é grande. Mas não é o único problema, de acordo com José Roberto. "É necessário também que haja um maior nÃvel de consciência da necessidade de melhoria no atendimento ao cliente. Independente de ser turista ou não", opina. Por conta disso, a Emsetur criou Programa Sergipe de Braços Abertos, que qualifica profissionais envolvidos com o turismo - garçons, camareiras, chefs.  "Nos dois últimos anos, o Programa qualificou cerca de 400 profissionais especificamente na área de alimentos e bebidas", revela o diretor do órgão. Além disso, segundo ele, tanto a Emsetur quanto a Setur - que será recriada nos próximos meses após dois anos de extinção - devem ter um projeto de ação maior na área de qualificação profissional. "Principalmente em dois segmentos que ainda não conseguimos atingir a contento: bares e restaurantes e taxistas", promete.  A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, seccional de Sergipe - Abrasel -, também reconhece o boom do mercado gastronômico e a falta de estrutura para sustentar-lhe. "Mas houve uma melhora considerável. Hoje, há mais estabelecimentos e mão de obra. Sabemos que falta fazer muito ainda", admite Augusto de Carvalho, presidente do órgão. De acordo com ele, muitas iniciativas estão sendo tomadas no intuito de fazer com que daqui há cinco anos - quando a Copa do Mundo será no Brasil - Sergipe tenha vencido essa fase.  "O investimento está sendo alto. A Abrasel está formando parcerias com Emsetur, Sebrae e Governo do Estado para melhorar cada vez mais esse mercado. Queremos, inclusive, que os profissionais da área se tornem bilÃngues", garante. Nesse campo, a escassez é maior ainda. "Conta-se nos dedos os estabelecimentos que têm mão de obra preparada para falar com clientes estrangeiros", admite Augusto.  E é bom que as estratégias sejam efetivas, pois a gastronomia é um atrativo importante para qualquer destino turÃstico - e uma excelente geradora de empregos. Em Sergipe não deve ser diferente. "Estamos iniciando um processo de sensibilização com os hotéis para que utilizem no seu café da manhã elementos como queijo coalho, beijus, mingaus, a fim de valorizar nossa gastronomia que, sem sombra de dúvidas, é uma das mais interessantes do paÃs", opina José Roberto, da Emsetur.  CURSOS  A variedade e o sabor da comida sergipana, no entanto, não são requisitos suficientes para 'salvar' o segmento gastronômico. Para Augusto Carvalho, uma solução, de longo prazo, são os profissionais que serão formados pelos cursos ofertados recentemente por duas universidades de Aracaju - a Universidade Tiradentes e a Serigy. Também há os cursos técnicos do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial - Senac -, e do Serviço Brasileiro de Apoio à s Micro e Pequenas Empresas - Sebrae.  O alagoano Rafael Gendiroba, estudante do 3° perÃodo do curso de Gastronomia na Universidade Tiradentes, acredita que escolheu um dos melhores mercados para atuar. "Quando concluir o curso pretendo me especializar fora do paÃs e depois voltar para Aracaju. O mercado está crescendo muito", almeja o futuro chef. Tomara que ele seja um excelente profissional e que ajude a mudar o gosto insosso do mercado gastronômico de Sergipe. E ainda a falta de profissionais.  Fonte: Cinform SE |