Cadeg: pés sujos viram um polo gastronômico

Mercado de Benfica ganha investimentos milionários, dobra público e se torna point

 

Rio - O Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara (Cadeg) está ganhando ares de Cobal. Os corredores do mercado popular de Benfica, na Zona Norte, passaram por um banho de loja e não ficam devendo nada aos coirmãos da Zona Sul. Com 712 empresas — a maioria de alimentos — em mil metros quadrados, o Cadeg virou concorrido point e, de pé sujo, novo polo gastronômico carioca.

 

De acordo com o diretor social do empreendimento, Armed Nemr, 47 anos, em dois anos, pelo menos 15 médias e grandes empresas do ramo se instalaram no local, somando R$ 20 milhões em investimentos. Grandes referências da cozinha moderna, como Barsa, Costelão e Brasa Show, são recém-chegados que se uniram ao paraíso das festas portuguesas, regadas a bons vinhos, azeites e bacalhaus.

 

As novidades atraem cada vez mais clientes de todos os cantos da cidade. “Venho da Barra da Tijuca sempre com minha família. A qualidade é fantástica, e os preços, bem mais em conta do que em outras regiões da cidade”, elogia o empresário José Carlos Trica, 49 anos.

 

“Trabalho perto e almoço aqui. Mas, nos fins de semana, volto com amigos”, conta o bancário Augusto Barbato, 35, morador da Zona Sul.

 

Eles fazem parte do público de 20 mil pessoas em média que circulam diariamente no Cadeg — o dobro de dois anos atrás.

 

O crescimento do setor da gastronomia no local também dobrou o número de empregos: agora são 5 mil diretos. “Eu ganhei uma oportunidade de ouro”, comemora o garçom Jardel Sales, 28 anos, do Brasa Show.

 

Armed justifica o sucesso, que dá água na boca na concorrência: “Temos instalações que remetem à cozinha familiar, a maior parte funcionando 24 horas e estamos situados estrategicamente, perto de tudo e de todos. Passamos a ser ótima alternativa para quem gosta de comer bem, com segurança, sem pagar preços exorbitantes”.

 

E é nesse clima de renovação que o Cadeg vai completar, no ano que vem, 50 anos de fundação. “Estamos preparando estruturas que suportem mais meio século”, adianta o diretor social. Uma das novidades prometidas para o aniversário é a climatização de todos os espaços abertos. Setenta climatizadores já começaram a ser instalados, garantindo ambientes mais frescos e arejados”, destaca Armed.

 

Graças a trabalho de conscientização e projeto de coleta seletiva de lixo, a limpeza também ajuda a atrair novos fregueses. “Vencemos o estigma de que o Cadeg era lugar de comida boa, mas com ambiente sujo”, ressalta.

 

Costelão com butique de carnes exóticas

 

O mais novo empreendimento do Cadeg é o restaurante Costelão, na Rua 4. A direção do estabelecimento, especializado em carnes na brasa, conquistou tão rápido o público que, na semana que vem, vai abrir, ao lado, uma butique de carnes exóticas.

 

“Somos versáteis. O cliente poderá escolher e faremos na hora cortes de coelho, jacaré, javali, perdiz, rã, pato e cordeiro, entre outros”, afirma o gerente, Lucas Eyng, 49 anos, um gaúcho que, com 29 anos de experiência, foi escolhido a dedo no Sul do País para comandar a casa.

 

Segundo Lucas, a ideia de vender carnes exóticas surgiu com o sucesso da venda do panga. O peixe, de alto valor nutritivo, é importado do Vietnã, onde há mais de mil anos é reproduzido no Rio Mekong. “Também vamos ter costela e coração de boi recheados”, acrescenta o gerente.

 

O Costelão também inova ao não servir carnes no sistema de rodízio. “Rodízio acaba saindo muito caro, gera desperdício e não é vantajoso para quem não come em grande quantidade. Por isso, decidimos vender guarnições”, justifica o gerente da casa.

 

Os preços não são altos. Uma picanha importada, com três tipos de acompanhamentos, por exemplo, sai por R$ 22,90. O mesmo prato, com costela, não passa de R$ 14,90.

 

Cozinha ‘aberta’ com chorinho e poesia

 

No Barsa, o chefe Marcelo Barcellos, papa da organização de festas de famosos, investiu cerca de meio milhão de reais. No restaurante ‘aberto’, no Cadeg, os clientes podem acompanhar o preparo dos pratos coloniais.

 

Além do colorido dos cardápios, com ervas, frutas e flores, Barcellos investe na chamada cozinha com arte. “Aos domingos, temos chorinho com o grupo Coisa & Tal. A partir de abril, promoveremos rodas de poesias e espetáculos circences”, adianta o chefe.

 

Com sua decoração divertida e espaço para crianças, o Brasa Show Galeteria não economizou: investiu R$ 1,3 milhão em cinco ambientes, todos com ar-condicionado.

“Vamos servir até café da manhã”, já anuncia Joaquim Fagundes, um dos proprietários do restaurante.

 

Motivados pelos novos vizinhos, outros comerciantes, mais antigos, acompanham o ritmo.

“Acabamos de colocar ar-condicionado”, diz João Carlos Mendonça, dono do Corujão.

 

“Estamos dando um banho de loja por aqui também. O visual atrai clientes”, diz Frederico Fernandes, do Hawaii Sucos.

 

Fonte: O Dia on line