Banco de horas vira ingresso para trabalhador
18/05/2010, R 7
Algumas empresas já preparam a decoração em verde e amrelo - foto: Jornal Hoje em Dia
Cartão vermelho só vale para quem faltar ou não fizer acordo com o patrão
A menos de um mês para o início da Copa do Mundo, os trabalhadores e empresas já devem começar a fazer acordos para as duas partidas da seleção na primeira fase que irão acontecer durante a semana, nos dias 15 (terça-feira) e 25 de junho (sexta-feira), às 15h30. O segundo jogo irá ocorrer no dia 20, às 15h30, em um domingo.
Para torcer para os brazucas vale fazer hora extra, pedir ao chefe uma TV no escritório e decorar a mesa da empresa. O cartão vermelho só é para quem quiser faltar sem apresentar justificativa, ou sair da empresa sem avisar o chefe, segundo a advogada trabalhista Gilda Figueiredo Ferraz.
“Vai prevalecer o bom senso, mas o funcionário que não for trabalhar ou ir embora sem autorização pode até ser demitido por justa causa. O empregador pode dar uma advertência verbal ou escrita, suspender ou demitir por justa causa, de acordo com a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)”.
Para quem pensa em pedir para sair mais cedo, a dica é começar a preencher o banco de horas com pelo menos três horas extras, que é a duração das partidas. O chamado acordo de compensação informal é a saída para quem não dispensa a torcida do bar com os amigos. A negociação, no entanto, deve começar a ser feita o quanto antes, segundo Miguel Torres, presidente do Sindicato dos metalúrgicos de São Paulo. “O sindicato não vai deixar descontar [as horas] do trabalhador, se tem espaço para compensação e para uma negociação. Além disso, as duas partes ganham com um acordo. O trabalhador que vai se divertir. Por outro lado, as empresas terão falhas no trabalho por distração das pessoas que estiverem mais interessadas no jogo”.
A rede de lojas Armarinhos Fernando resolveu fechar as portas na hora da partida. Segundo o gerente geral, Ondamar Antonio ferreira, as vendas caem a zero no horário. “Os 800 funcionários serão liberados em todos os jogos, de tarde e de manhã. Eles poderão sair para assistir em algum lugar da loja. A gente faz isso porque o movimento é nulo, não só no horário do jogo, mas durante todo o dia”.
h3.Jogo no boteco
A torcida para a liberação dos funcionários também ocorre fora das empresas, já que os donos de bares e restaurantes investiram mais de R$ 40 milhões na compra de telões e na decoração dos 300 mil estabelecimentos em todo o Estado de São Paulo, segundo Paulo Solmucci, presidente execuivo da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes). “A Copa é bem-vinda pelos bares e restaurantes. A expectativa é que o movimento aumente até 200% nos dias dos jogos”.
Se não houver acordo, vale dar aquela “choramingada” ao chefe para colocar uma TV na empresa e montar a torcida. O bom senso, no entanto, deve continuar a prevalecer, já que local continua sendo o ambiente de trabalho do funcionário, segundo Roberto Britto, gerente de engenharia da empresa de recrutamento Robert Half. “No ambiente administrativo, o empregado tem que evitar ao máximo falar palavrão, xingar o juiz ou o adversário. Também não pode ficar exaltado, gritar e mostrar agressividade. No entanto, ele pode assistir ao jogo com a camiseta do Brasil, mas é bom tirar quando o jogo acabar”.
h3.Escritório verde e amarelo
Na empresa de recrutamento Catho os funcionários já começaram os preparativos para os jogos, com direito a decoração e lanche, segundo Rogério Reberte, gerente de recursos humanos. “Temos um espaço com telão, decoração e um lanche porque o jogo é perto do horário do almoço. Vamos liberar camisa [da seleção], enfeite, lanche e corneta. Tentaremos criar um ambiente agradável”.
E quem ganha nesse jogo? Para Patrícia Epperlein, sócia e diretora geral da Mariaca, consultoria de RH, o empresário que permitir que o funcionário assista aos jogos vai sair ganhando. “Para nós no Brasil, a Copa é um evento muito importante. É produtivo usar os jogos como uma integração entre os funcionários. Dessa maneira, você coloca na mesma sala pessoas que trabalham na mesma empresa, mas não têm contato. Além disso, o funcionário que não puder assistir ao jogo não se concentra no trabalho, fica menos produtivo”.
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