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No país, há 100 mil vagas abertas para bares e restaurantes. A disputa por garçons e cozinheiros está tão grande que vale ensinar até quem tem outra profissão
A oportunidade surgiu assim, de bandeja, quando Cláudio Lúcio Madeira estava desempregado. Ele virou garçom, mesmo sem ter nenhuma experiência no ramo.
O bar inaugurado há dois meses ainda precisa de muitos profissionais. “O mercado está aquecido. Agora principalmente, em fim de ano, verão. A procura é muito grande para bar e restaurante”, explica Paulo Rossetti, dono do bar.
O setor cresceu 12% neste ano, muito mais que a economia do país, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), e há 100 mil vagas abertas.
“70 mil, mais ou menos, é para área de atendimento: garçons, atendentes. Nós temos aí mais umas 20 mil vagas para cozinha, auxiliar de cozinha, cozinheiro. E umas dez mil aí para área de gestão, pessoal que vai cuidar de gerir o negócio, controle de estoque”, afirma Paulo Solmucci, presidente da Abrasel.
Com tanta oferta, os salários já subiram 15% neste ano e atraem gente que nunca pensou em trabalhar na área.
Preparar uma pizza do início ao fim parecia impossível para Gabriel Fernandes da Silva há quatro meses. Ele era ajudante de pedreiro e queria mudar de profissão. A pizzaria abriu dez vagas sem exigir experiência. Foi a união da oportunidade com a vontade de aprender.Tudo ainda é feito sob a supervisão de um colega.
Dilene Silva nunca imaginou que fosse mudar de vida. “Já tava assim, desistindo. Falei: ah, vou ser empregada pro resto da minha vida. Dezoito anos trabalhando no mesmo lugar”, diz a ajudante de cozinha.
Dois meses de treinamento num restaurante e a ex-doméstica já sabe onde quer chegar. “Quem sabe, mais na frente, ser uma chef? Quero crescer”, afirma Dilene.
Fonte: Jornal da Globo |