Empregos: sobram vagas no Litoral e faltam candidatos para ocupá-las

 

No comércio, sobram empregos. Bares, hotéis, pousadas e restaurantes não encontram pessoas interessadas ou qualificadas para executarem serviços

 

Se você está desempregado, arrume as malas e pegue o primeiro ônibus para o Litoral Norte. Nesta época do ano, as praias gaúchas oferecem ótimas oportunidades de trabalho. Não é uma marolinha como em anos anteriores, mas uma gigantesca onda de empregos temporários à espera de candidatos. Segundo coordenadores de agências do Sine, a procura deve aumentar a partir desta semana, com o início das férias escolares, pois boa parte das vagas são destinadas para jovens.

 

Cartazes não atraem

 

Em Tramandaí, Cidreira, Pinhal, Quintão e Magistério, comerciantes e empresários estão à beira de um ataque de nervos. Na véspera das festas de Natal e Ano-Novo, quando se inicia de fato a temporada de verão, cartazes com o aviso “Precisa-se” são ignorados. Grandes e pequenas redes de supermercados, lojas de confecções, lancherias, bares, hotéis, restaurantes, casas noturnas e até farmácias pretendem redobrar suas equipes para dar conta do atendimento.

 

Muita chance, pouco interesse

 

Há vagas para balconistas, caixas, açougueiros, garçons, garçonetes, seguranças, supridores e dezenas de outras funções, mas faltam pessoas interessadas ou com qualificação.

 

“Pessoas de fora que se tornam moradores não têm qualificação para os empregos oferecidos”, justifica a assistente técnica do Sine de Tramandaí, Valderez Karnal.

 

Leonilda trocou de cozinha

 

Aos 44 anos, Leonilda Lemos da Rosa deixou temporariamente de fazer comida em casa. Há duas semanas, ela foi contratada para ser uma das cozinheiras do Restaurante Tropicana, em Quintão. “Estou gostando”, resumiu Leonilda.

 

O proprietário Carlos Santos, 65 anos, passou dois meses reformando o estabelecimento na Rua Esparta, com acomodações para 80 pessoas. Se o movimento crescer depois do Natal, ele pretende contratar mais duas cozinheiras e dois garçons para a temporada.

 

Quadro no hall anuncia postos

 

Em Cidreira, clientes da Pousada e Restaurante 591 passam por uma placa no hall de entrada. O quadro mostra a frase escrita com giz mais lida nesta época pelos veranistas: Precisa-se. Para manter o bom atendimento na pousada com dez quartos, e no restaurante para 220 pessoas, na Avenida Fausto Borba Prates, 3265, Centro, a gerente Michele Lemos, 29 anos, quer contratar mais uma copeira (salário de R$ 600) e uma auxiliar de cozinha (com ganhos de R$ 700 mensais).

 

“É contratação imediata, com uma folga semanal e hora extra paga”, garantiu Michele, torcendo para que surjam candidatas. “É chegar e começar a trabalhar”.

 

O gerente do supermercado Asun em Quintão, Gilmar Tremea, não sabe mais o que fazer. Mesmo elaborando chamadas atrativas, não consegue chamar a atenção dos desempregados. “Temos 83 funcionários e precisamos ir a 135, mas não tem gente pra trabalhar”, comentou Gilmar.

 

Além de caixas, auxiliares de açougue, açougueiros, padeiros e supridores, eles precisam de gerentes de setores também. A carga horária é de 7h30 por dia e uma folga por semana.

 

Fonte: Diário Gaúcho