Lei Seca é "atropelada" na Paraíba

 

Com pouca fiscalização, motoristas insistem em dirigir alcoolizados

 

O estudante de Relações Internacionais Felipe Nogueira, 23 anos, costuma ir aos fins de semana à praia. Vai conduzindo o próprio veículo, estaciona em um bar no bairro do Bessa, em João Pessoa, e diz que bebe com os amigos até duas cervejas "para não ter perigo na direção". Medo de ser flagrado em uma blitz que fiscaliza motoristas alcoolizados? "Até tenho, mas nunca fui parado e nem vi nenhuma nas rua", revela. O raciocínio do estudante pode ser comprovado no número de autuações realizadas dentro da Capital se comparadas com as feitas nas principais rodovias que cortam a Paraíba.

 

Enquanto a Polícia Rodoviária Federal (PRF), no período de janeiro a outubro autuou 535 motoristas, os dois órgãos responsáveis pela fiscalização na Região Metropolitana - Companhia de Policiamento de Trânsito (Cptran) e Departamento de Trânsito da Paraíba (Detran-PB), no mesmo período autuaram juntos 388 motoristas na grande João Pessoa. O limite "tolerado" pela Lei é 0,10 miligramas de álcool no sangue, quantidade já ultrapassada por um copo de cerveja. Acima de 0,30 miligramas, o motorista é considerado infrator e penalizando com multa de R$957,70 e computado sete ponto Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

 

De acordo com o inspetor Genésio Vieira, da assessoria de comunicação da PRF-PB, o trecho em que o órgão mais aplica multa é exatamente dentro do perímetro urbano nas rodovias federais. "Entre Cabelo e Santa Rita há maior incidência de motoristas que são flagrados usando álcool ao volante, mas nossa competência é apenas realizar autuações na BR. Se começar a intensificar esse tipo de ação dentro da cidade, vai diminuir o problema nas rodovias", afirmou.

 

Mais de dois anos depois da entrada em vigor da lei que prevê detenção e perda da CNH - Lei 11.705, conhecida como Lei Seca para quem é flagrado dirigindo depois de beber, muitos motoristas paraibanos têm "atropelado" a legislação.

 

Muitos motoristas alegam que a falta de fiscalização contribui para o quadro de desrespeito à lei. O problema, no entanto, é de comportamento: o motorista ainda não se conscientizou do perigo que uns simples goles representam no trânsito. "É errado e perigoso dirigir após ter bebido. Todos sabem disso, mas a flexibilidade dos órgãos responsáveis contribui para que as pessoas se sintam mais acomodadas em dirigir embriagados", acredita.

Fonte: O Norte