10/01/12 - Consumo de frango no Brasil supera o dos EUA

Do total de 13,058 mi/t produzidas no ano passado, 69,8% foram destinados ao mercado interno

O consumo per capita da carne de frango no país aumentou 7,48% em 2011, para 47,4 quilos/ano. Do total de 13,058 milhões de toneladas produzidas no ano passado, 69,8% foram destinados ao mercado interno, de acordo informações divulgadas ontem pela União Brasileira de Avicultura (Ubabef). No ranking mundial, o Brasil é o sétimo país que mais consome a proteína.

Em primeiro lugar estão os Emirados Árabes Unidos, com 67,2 quilos/ano, seguidos do Kuwait, com 64,1 quilos/ano, e do Bahrein, com 61,6 quilos/ano. Os Estados Unidos, maior produtor mundial da proteína, ficaram no nono lugar, com 44,4 quilos per capita/ano.

Segundo o presidente executivo da Ubabef, Francisco Turra, ainda há espaço para o consumo doméstico crescer. "Parece que chegamos ao teto de consumo por pessoa, mas na verdade você tem mais espaço à medida que a renda da população vai crescendo", disse, em coletiva de imprensa ontem, na sede da entidade de classe.

"Além disso, é uma questão de hábito alimentar e a maioria considera o frango como a proteína mais leve, mais saudável", completou o diretor de mercados da Ubabef, Ricardo Santin. A União Brasileira de Avicultura encomendou uma pesquisa que ficará pronta neste primeiro semestre sobre os hábitos de consumo alimentar do brasileiro, que, segundo Turra, pode apontar tendências e oportunidade para o consumo de carne de frango.

Ovos - Já o consumo per capita de ovos cresceu 9,3% em 2011, para 162,59 unidades/ano ou 9,76 quilos/ano. A produção somou 31,554 bilhões de unidades, avanço de 9,4%, sendo 21% do tipo "vermelho" e 79% do tipo "branco", considerado um bom e inédito desempenho pela Ubabef.

De acordo com informações da entidade, praticamente toda a produção (99%) foi destinada ao mercado interno e o maior Estado fabricante do produto no ano passado foi São Paulo (35,85% do total), seguido de Minas Gerais (11,45%), Paraná (6,92%) e Rio Grande do Sul (5,91%).

A produção de perus no ano passado foi de 305 mil toneladas, queda de 9,4% ante as 337 mil toneladas de 2010. Do total, 54% foram destinados ao mercado doméstico e 46% às exportações.

Valor do frango

As perspectivas de demandas interna e externa por carne de frango em 2012 são positivas, o que deve favorecer a estabilidade dos preços, segunda pesquisa feita pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Somente neste ano é esperado aumento de 5% no consumo per capita do país. Devido ao período de férias e consumo menor, os preços em Minas caíram na primeira semana do mês.

Segundo o médico-veterinário e consultor da Scot Consultoria, especializada em agronegócios, Hyberville Neto, o preço do quilo do frango vivo recuou de R$ 2,15 para R$ 1,80 entre os dias 29 de dezembro e 4 de janeiro, queda de 16,2%. A redução dos valores já era esperada pela demanda menor no período de férias.

De acordo com os dados da consultoria, a pressão de baixa no mercado de frango vivo se deu pelo menor volume de compras por parte dos frigoríficos, o que tirou a sustentação dos preços.

"A oferta é abundante e as indústrias têm adquirido volumes reduzidos de animais, já que a demanda é lenta, deixando o preço básico na granja pressionado", acrescenta.

No mesmo período o frango resfriado ficou cotado em R$ 3 por quilo, ante R$ 3,05 na semana anterior. "A movimentação do mercado no princípio do ano segue ritmo mais lento, que deverá ser novamente impulsionado a partir de fevereiro", diz Neto.

Um dos aspectos que poderá favorecer a atividade ao longo do ano é a estimativa de redução dos preços do milho, principal insumo da atividade, que em 2011 acumulou altas, comprometendo a lucratividade da avicultura. As previsões de aumento das safras de milho e soja contribuíram para a queda dos preços dos produtos ao longo de dezembro.



Segundo Neto, é necessário que os avicultores mantenham cautela e observem os rumos do mercado internacional, principalmente em relação à crise financeira, e as conseqüências das variações climáticas. Estes fatores poderão interferir na oferta de produtos e na demanda pela safra de grãos, contribuindo para a redução ou aumento das cotações.

De acordo com o levantamento do Cepea, em relação ao mercado de insumos, os preços dos grãos recuaram nos últimos meses de 2011 em decorrência da baixa liquidez, mas, no encerramento do ano, as cotações voltaram a subir no mercado interno. Essa valorização esteve atrelada ao clima seco em algumas regiões brasileiras, que pode prejudicar a produtividade da nova safra.

Uma valorização dos grãos e de seus derivados, por sua vez, tenderia a desestimular a produção de aves. Para 2012, a previsão é de aumento do consumo de carne de frango, que será estimulado pela melhoria da renda das classes C, D e E. De acordo com dados do United States Department of Agriculture (USDA), o consumo no Brasil deve crescer 5% em 2012, totalizando 10,1 milhões de toneladas da carne.

Segundo o consultor da Scot Consultoria, o consumo per capita brasileiro vem crescendo significativamente nos últimos anos. "O primeiro setor a ser favorecido com a elevação da renda dos consumidores é o de carnes. Em 2006, por exemplo, o consumo de carne de frango, na média brasileira, era de 35,8 quilos per capita. Em 2010 já havia alcançado 43,9 e em 2011 foi estimado em 46,1 quilos", observa.

Fonte: Diário do Comércio