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Mesmo com preço mais baixo, commodities estão caras para brasileiros
Nos últimos meses, alguns alimentos ganharam um preço mais “salgado”, pesando no bolso do brasileiro. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o valor do grupo de alimentação e bebidas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) aumentou 1,18% no mês de outubro, em comparação com o mês anterior.
Segundo o estudo, a maior variação foi no estado de Fortaleza, com índice positivo de 2,2%, e a menor foi de 0,46%, no Rio de Janeiro. O aumento é resultado de vários fatores, mas o câmbio ocupa um papel fundamental neste cenário. É ele que determinará a quantidade de produtos que o Brasil irá importar e exportar e, consequentemente, quanto iremos pagar pelo que consumimos.
Para Rafael Costa Lima, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o aquecimento da economia, por si só, influenciou na inflação dos alimentos, mas o câmbio teve um impacto bastante específico, especialmente sobre as commodities, mercadorias produzidas em larga escala e comercializadas em nível mundial, como o trigo, arroz e milho.
Quando há desvalorização do câmbio, a tendência é de que essas mercadorias fiquem mais caras para importar e, consequentemente, os produtos feitos à base desses grãos aumentam de valor. “Depois que o câmbio desvalorizou, mesmo com a queda no valor das commodities, os preços dos pães subiram no Brasil. Na variação quadrissemanal, o pão de forma teve aumento de 2,43%; o francês, de 0,61%; e a baguete de 0,75%. Outros alimentos, como o macarrão e a farinha, subiram 0,53%, enquanto que o preço do café encareceu 2,55%”, esclarece Lima.
Lima explica que as commodities são cotadas no mercado internacional em dólar e os preços são praticamente os mesmos para todos os países e o câmbio, neste caso, tem interferência direta no valor que se paga pelos produtos. “Com a crise mundial, o preço de várias commodities está caindo em dólar. Por outro lado, estamos sofrendo com a desvalorização do real e, consequentemente, acabamos pagando mais caro para importar esses bens", explica.

O coordenador explica que, em nações mais desenvolvidas esse efeito não é tão direto. “Nesses países, o reflexo do câmbio tende a ser mais suave e é difícil observar uma desvalorização acentuada em poucos meses”, conclui. Além disso, o mercado consumidor deles é maior e, se há um desaquecimento na economia local, o efeito é sentido em todas o mundo, fazendo com que o preço das commodities caia globalmente.
“Como o Brasil apresenta um mercado consumidor pequeno, as oscilações de consumo internas não têm tanto efeito no preço das commodities’, diz. Lima explica que, apesar do aumento dos preços por conta da desvalorização do real, boa parte do movimento que se observa atualmente está muito próxima da oscilação sazonal dos alimentos no fim de ano.
“Fora isso, não há nenhum fator externo que sugira uma persistência de alta de alimentos tão forte em janeiro e fevereiro. A tendência é de que os preços se suavizem a partir do ano que vem”, opina. “O único item que costuma ter aumento no início do ano são as hortaliças, devido às fortes chuvas da época. Mas o consumo desse alimento não é representativo na mesa do brasileiro”.
Ainda assim, Virene Roxo Matesco, professora de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV)/IBS Business School, acredita que vale ficar atento à dinâmica do mercado. “Os preços são sempre muito flexíveis para aumentar, mas são mais resistentes a diminuir. Para aumentar o valor de um alimento há uma bola multiplicativa que inclui impostos e inflação. Mas para atenuar o preço, as empresas geralmente esperam mais tempo para tomar uma atitude”, critica.
Fonte: Terra
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