06/01/12 - Custo da cesta básica avança nas principais cidades do Brasil

Apenas uma de 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apresentou queda do preço médio da cesta básica em 2011, a de Natal (RN), com variação negativa de 3,38% no acumulado do ano. De acordo com levantamento divulgado ontem, três capitais tiveram elevação de preços acima de 10% em 2011: Vitória (13,80%), Belo Horizonte (11,76%) e Florianópolis (10,20%). Em 2010, 14 capitais haviam registrado altas acima de 10%.

Em São Paulo, o custo da cesta básica apresentou avanço de 4,57% em 2011. Também registraram aumento Porto Alegre (9,80%), Rio de Janeiro (8,34%), Belém (7,81%), Brasília (6,08%), Goiânia (5,15%), João Pessoa (5,13%), Recife (5,10%), Fortaleza (4,65%), Aracaju (3,60%), Salvador (3,53%), Curitiba (1,91%) e Manaus (1,48%).

Em dezembro, a maior variação mensal foi verificada em Goiânia, com alta de 5,58% ante novembro. Depois vieram Vitória (4,35%), Fortaleza (4,25%), Natal (3,09%), João Pessoa (3,00%), Belo Horizonte (2,85%), Recife (2,60%), Salvador (1,81%), Rio de Janeiro (0,46%), Belém

 

(0,38%), São Paulo (0,35%) e Aracaju (0,24%). Cinco capitais apresentaram deflação em dezembro: Florianópolis (-2,28%), Curitiba (-1,80%), Porto Alegre (-0,99%), Manaus (-0,98%) e Brasília (-0,50%).

A cidade de São Paulo encerrou o ano sendo a capital brasileira com a cesta básica mais cara do País, com preço médio de R$ 277,27 e alta de 4,57% ante 2010. Em dezembro, o custo dos 13 alimentos essenciais para as famílias paulistanas aumentou 0,35% em relação ao mês anterior.

No mês passado, Porto Alegre tinha a cesta básica mais cara, de R$ 279,64, mas apresentou deflação de 0,99% em dezembro e baixou o preço médio para R$ 276,86, caindo para o segundo lugar.

De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, na capital paulista nove produtos da cesta básica tiveram reajuste de preços para cima em 2011 na comparação com o ano anterior. O tomate (29,41%) e o café (22,66%) apresentaram as maiores altas acumuladas, seguidos por leite com 9,40% e a banana com 8,15%, pão com 6,53%, manteiga com 5,41%, óleo com 3,75%, farinha de trigo com 1,27% e a carne com 0,65%.

A maior queda de preços ficou por conta do feijão, com variação negativa de 10,12%. Depois vieram a batata com recuo de 5,68%, o arroz com recuo de 5,50% e o açúcar, em negativos -0,86%.

Na variação mensal, cinco produtos registraram recuo de preços em dezembro ante novembro: tomate (-11,75%), batata (-9,29%), leite (-1,18%), manteiga (-1,07%) e açúcar (-0,43%), enquanto o preço do óleo de soja se manteve estável. Os aumentos foram verificados em carne (4,70%); feijão (4,10%); café (3,43%); banana (1,23%); arroz (1,07%); farinha de trigo (0,95%) e pão francês (0,56%).

Café e óleo de soja sobem em todas as capitais e puxam valor da cesta básica

Parte dos itens que compõem a cesta básica teve alta generalizada em 2011. Os preços de café, óleo de soja, tomate e carne bovina subiram em quase todas as capitais, segundo a pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Por outro lado, o arroz e o feijão ficaram mais baratos em 16 capitais.

Problemas climáticos e demanda internacional são as principais explicações para aumentos expressivos de alguns produtos. A colheita do café, por exemplo, foi prejudicada pela seca nos meses de inverno e pelo atraso da florada em decorrência das temperaturas mais frias. A cotação internacional aumentou por causa da demanda asiática e da quebra de safra no Vietnã. A maior alta do café foi registrada em Belo Horizonte (34,89%), segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, divulgada ontem.

A redução de estoques e a demanda expressiva na Índia e na China, segundo o Dieese, também propiciaram aumentos significativos dos preços do óleo de soja, com alta de 19,01% em Salvador e de 15,75% em Manaus.

Muito sensível à variação climática, o tomate subiu em 16 capitais ao longo de 2011. Em Vitória,, a alta chegou a 121,99%. A carne, que em geral aumenta com a demanda no fim de ano, subiu, em 2011, em 15 capitais.

No conjuntos dos produtos que compõem a cesta básica, o Dieese registrou em 2011 aumento superior a 10% em três capitais. A maior alta foi observada em Vitória, com aumento de 13,80%, seguida por Belo Horizonte (11,75%) e Florianópolis (10,20%). No ano anterior, elevações superiores a 10% foram registradas em 14 capitais.

Fonte: Valor Econômico