04/01/12 - Alimentos podem subir mais que o esperado e pressionar o IPCA, diz LCA

Os dados de inflação na cidade de São Paulo, divulgados nesta quarta-feira pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), apontaram forte alta em alimentos em dezembro, indicando que tal comportamento poderá se repetir no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo avaliação da LCA Consultores.

No mês passado, os preços dos alimentos subiram 1,44% na capital paulista, após contabilizarem aumento de 0,74% em novembro. A categoria foi a principal responsável pela alta de 0,61% no Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe) em dezembro. Para a LCA, é possível que devido ao aumento de demanda decorrente das festas de fim de ano os alimentos pressionem um pouco mais o IPCA. “Mas isso não altera nossa projeção para o indicador, que é de elevação 0,53% em dezembro”, diz Francisco Pessoa, economista da LCA.

Caso a estimativa se confirme, o IPCA deverá fechar 2011 com alta de 6,52%, ligeiramente acima do teto da meta estipulado pelo governo, de 6,5%. A inflação acumulada de janeiro a novembro pelo IPCA apenas em São Paulo foi de 6,1%, levemente acima da média nacional neste intervalo, de 6%. No mesmo período, o IPC-Fipe registrava elevação de 5,2%.  A divergência de valores, segundo Pessoa, se deve em grande parte à diferença de metodologia.



A expectativa da LCA é de que a pressão dos alimentos neste início de ano seja menor que a verificada nos primeiros meses de 2010. “Há o risco climático, com as chuvas em Minas Gerais e o fenômeno La Niña no Sul, que afeta principalmente produtos in natura e carnes. Por outro lado, há a perspectiva de início de um novo ciclo de baixa para o boi”, diz Pessoa, lembrando que o aumento de 14% no salário mínimo neste ano também pode influenciar a demanda por alimentos e, consequentemente, os preços nas prateleiras.

Uma grande influência sobre o IPCA, entretanto, deverá vir da nova estrutura de ponderação do índice, que considerará a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009. “Com a nova estrutura nossa projeção para 2012 caiu 0,4 ponto percentual”, diz Pessoa. A LCA estima alta de 4,85% para o IPCA em 2012.


Alimentação aliviou aumento de preços para consumidor de Recife

A alimentação, item que compromete pouco mais de 30% da renda do consumidor em Recife, foi responsável por segurar os preços na capital do Estado de Pernambuco, segundo André Braz, economista da Fundação Getulio Vargas, responsável pelo cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S). Dentre as sete capitais pesquisadas, Recife teve a menor inflação em 2011, de 5,47%, enquanto o índice geral variou 6,36% no mesmo período.

“O que pesa mais em Recife é alimentação, que compromete mais de 30% da renda, e lá esse item subiu muito pouco, 3,95% no ano, abaixo da variação do índice geral”, afirmou o economista.

Belo Horizonte sustentou o título não muito lisonjeiro de cidade em que os preços mais subiram, de acordo com o IPC-S. Em 2011, a alta foi de 6,78%. Para Braz, o que pesou mais na composição desse índice foi o grupo habitação, que subiu 6,88%, especialmente por causa do aumento do aluguel residencial (7,5%) e do item mobiliário, que abrange móveis e eletrodoméstico, por exemplo, com alta de 13%. “Para o cidadão em BH, o que mais compromete a renda é habitação, e itens para os quais não há substituição, como aluguel, subiram muito”, afirmou.

No Rio de Janeiro, a alta do aluguel residencial foi ainda maior, de 8,63%, mas lá as despesas com mobiliário subiram 5,64%, levando o grupo habitação a uma alta de 6,06% no ano, abaixo do índice geral para a cidade, que ficou em 6,73%.

Em São Paulo, o destaque inflacionário do ano ficou com a tarifa de transporte urbano: com peso de 5% no orçamento doméstico do consumidor, teve alta de 11,11%. “Sem contar que houve aumento também do álcool, de 14%, da gasolina, de 7,37%, e do metrô”, afirmou Bráz. Assim, o item transporte, em São Paulo, teve a maior alta entre os sete que compõem o índice, de 8,49%. O índice geral avançou 6,19%.


Fonte: Valor Econômico