Abrasel: Associação Brasileira de Bares e Restaurantes

Atualidade

Merenda saudável deve começar em casa

João Pedro se serve de comida balanceada

Escolas se adaptam à lei que proíbe venda ou fornecimento gratuito de alimento com alto teor de gordura ou açúcar, mas o perigo resiste no lanche que o aluno leva à sala de aula

A nova legislação da merenda escolar saudável entra em vigor, causa polêmica e encontra bons e maus exemplos em escolas públicas e particulares de Minas Gerais. A determinação, válida a partir desta semana e amparada na Lei 18.372/2009, proíbe a venda e o fornecimento gratuito de alimentos pouco nutritivos e com altos teores de calorias, gorduras, açúcar e sal nas instituições de ensino. Mas, enquanto as escolas e suas cantinas restringem o consumo das guloseimas, muitos pais não fazem a parte deles ao permitir que os filhos levem, de casa, chocolates, salgadinhos industrializados, refrigerantes, balas e chicletes. Contrária à decisão estadual, a Associação Brasileira dos Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG) critica as normas e promete brigar pela liberdade do comércio nas cantinas.

Na semana em que a lei entra para valer na vida e no cardápio dos estudantes, o Estado de Minas visitou algumas escolas públicas e particulares de Belo Horizonte e constatou que, mesmo com as restrições, as tentações embrulhadas em papéis coloridos ainda dividem a mesa com refeições recheadas de frutas, legumes e verduras. É o caso da Escola Estadual Cesário Alvim, no Centro da capital, que pediu a ajuda de nutricionistas para seduzir o paladar dos alunos com alimentos nutritivos e negociou com a cantina terceirizada do colégio para tirar de cena produtos que põem em risco a saúde das crianças e adolescentes. Mas, numa concorrência desleal, muitos estudantes continuam trazendo as guloseimas de casa.

Sempre peço à minha mãe para pôr na merendeira um salgadinho e um refrigerante. Ela sugere que eu coma também frutas e verduras, mas não gosto muito. De vez em quando ainda tento, mas todos os dias não dá”, diz o pequeno Marcos Vinícius Almeida, de 6 anos, aluno do 2º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Cesário Alvim. Já Sara El-Khal, de 8, se orgulha de ser adepta de uma alimentação saudável.

Adoro os mingaus, sopas e lanches da escola. E meus pais não dão muito dinheiro para evitar que eu compre balas, chicletes e chocolates. Mas acho bom, porque, quando crescer, quero ser pediatra e não vou poder dar mau exemplo aos meus pacientes”, brinca a garota. O colega dela, João Pedro Ângelo da Silva, de 9, também é radical com a alimentação. “Refrigerantes, doces e salgadinhos só aos sábados e domingos. Às vezes, sinto falta, mas não caio em tentação durante a semana”, conta o menino, que se delicia com o mingau, a sopa de legumes, o feijão amigo e a polenta oferecidos no cardápio da escola.

Obesidade

Na última semana, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) publicou resolução que orienta as cantinas escolares sobre as novas regras de comercialização de alimentos. No documento, a pasta reforça que tantas normas e cuidados têm como objetivo diminuir os índices de obesidade infantil, que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), atinge 22 milhões de crianças menores de 5 anos em todo o mundo. Além disso, especialistas em nutrição reforçam que o controle do sobrepeso é a principal estratégia para evitar doenças cardiovasculares.

As escolas públicas já têm cardápios balanceados, mas a nova lei trata do comércio de alimentos nas cantinas. As regras têm benefícios imediatos, porque as crianças passam grande parte do dia na escola e, pelo menos enquanto estiverem em sala de aula, vão reduzir o consumo de refrigerantes, frituras e doces”, diz Valéria Monteiro de Jesus, nutricionista da SEE .

A especialista ressalta que leis e determinações precisam ser acompanhadas de mudança de hábitos em casa e de programas de reeducação alimentar. “A família é peça fundamental para preservar a saúde dos jovens, pois é impossível restringir o consumo de alimentos inadequados em casa ou nas ruas. Portanto, o caminho é a educação”.

A Abrasel-MG, órgão que representa as cantinas escolares, também defende a conscientização e critica as proibições. “Somos a favor de uma alimentação saudável, mas contrários a leis simplistas e ineficazes. Se o aluno não puder comprar no colégio o que está habituado a comer, vai trazer de casa ou recorrer a carrinhos e a estabelecimentos instalados nas imediações das escolas. Além de não mudar hábitos, ele estará sujeito a produtos sem a fiscalização sanitária adequada”, afirma o presidente da associação, Paulo Nonaka.

Campanha

Favorável à lei, o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG) orientou, no início do ano, as instituições privadas de ensino para o cumprimento das normas. O Colégio Padre Eustáquio, na Região Noroeste, foi além e contratou um nutricionista para dar palestras em salas de aula e nas reuniões de pais e professores. “Fizemos uma grande mudança na lanchonete, que não vende mais frituras e doces, e estamos fazendo uma campanha para buscar a adesão da comunidade escolar. Proibir o aluno de trazer guloseimas de casa não é possível, mas apostamos na conscientização, pois a medida é excelente para prevenir doenças e a obesidade infantil”, diz a coordenadora pedagógica do colégio, Dulce Maria Mantuano Netto.

Cadastre-se

Receba por e-mail os informativos da Abrasel:



© Abrasel 2006 | Termos de uso | webmail |    Projetos Relacionamento Vendas