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Governo lança novas notas de Real

Novas cédulas do Real: tamanhos diferentes, como o Euro

O governo apresentou nesta ontem, dia 03 de fevereiro, uma nova família de cédulas do real e afirmou que as notas, mais resistentes à falsificação, contribuirão para preparar o País a ter uma moeda que circule internacionalmente.

O Banco Central gastará R$ 1,152 bilhão até 2012 (R$ 384 milhões por ano) para pôr em circulação a nova família de cédulas de real. “Temos que nos preparar para que o real tenha circulação internacional”, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao apresentar as novas cédulas ao lado do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. “Para isso, é importante termos papel-moeda sólido, que seja a prova de falsificações”. As novas notas custarão 28% a mais do que as atuais.

A substituição das cédulas de real que estão em circulação será feita de forma gradual, à medida que o Banco Central for recolhendo as notas desgastadas pelo tempo. Em uma primeira etapa, explicou o presidente do BC, Henrique Meirelles, serão fabricadas e trocadas apenas as cédulas de R$ 50 e R$ 100, as mais falsificadas. A primeira fornada sairá da Casa da Moeda a partir de abril. Serão 200 milhões de notas de R$ 50 e 50 milhões de R$ 100 – no total, há, atualmente, 1,6 bilhão dessas cédulas circulando pelo País. No primeiro semestre de 2011, será a vez de substituir as cédulas de R$ 10 e R$ 20. E, nos primeiros seis meses do ano seguinte, as notas de R$ 2 e de R$ 5. Não está prevista a fabricação de cédulas de R$ 1 pelo novo modelo. O BC optou pela produção de moedas nesse valor. As novas cédulas terão as mesmas cores e temáticas das notas já em circulação, mas terão tamanhos diferenciados para facilitar o reconhecimento por deficientes visuais.

Meirelles fez questão de ressaltar que não há necessidade de a população correr aos bancos para trocar as atuais notas de real. “Durante um bom tempo, as duas famílias de notas vão circular normalmente pelo Brasil, sem nenhuma distinção”, afirmou. Ele chamou a atenção ainda para o fato de, pela primeira vez na história, o Brasil fará uma troca de cédulas sem mudança no padrão monetário. “Desta vez no Brasil a mudança na família de moedas veio dentro de um critério de continuidade, de estabilização, e não de uma mudança no padrão da moeda. Isso é muito importante”, disse Meirelles. Nos processos anteriores, devido ao descontrole inflacionário, o País tinha que mudar o nome de sua moeda e cortar zeros. Agora, o que se vê é apenas um aperfeiçoamento no sistema de segurança.

Estamos acompanhando a revolução tecnológica que ocorreu em todo o mundo. Teremos cédulas compatíveis com um país que consolidou um processo de estabilização, mantém a inflação na meta, e está se internacionalizando. É natural, portanto, que o real se torne uma reserva de valor, que as pessoas passem a guardar parte do dinheiro em casa”, disse o presidente do BC. Ele ressaltou, porém, que houve a preocupação do governo de tomar alguns cuidados para não criar confusão na população. Ou seja, não haverá grandes modificações na aparência das notas. As cores das cédulas continuarão as mesmas, assim como as figuras ilustrativas.

Tecnologia

O que mudou foram os sistemas de segurança, para dificultar a falsificação, e as dimensões. Cada nota terá um tamanho, como ocorre em 83% dos países do mundo, sendo que, quanto maior o valor, maior será a cédula. Essa diferenciação, justificou o diretor de Administração do BC, Anthero Meirelles, contempla uma reivindicação da Justiça para facilitar a vida de mais de 2,5 milhões de deficientes visuais. Haverá, ainda, um detalhe como se fosse um chip de cartão de débito. “Absorvemos a melhor tecnologia do mundo usada para a fabricação da nova família do dólar, do euro e do peso chileno.”

Na avaliação do chefe do Meio Circulante do BC, João Sidney de Figueiredo Filho, com os novos instrumentos, a falsificação do real tenderá a cair, aproximando-se dos padrões mundiais. Segundo ele, o índice no País é de 143 notas falsificadas por lote de 1 milhão. Na Europa, a relação é de 53 cédulas por grupo de 1 milhão. Ele lembrou que, há dois anos, as notas apreendidas pelo BC e a Polícia Federal equivaliam a R$ 28 milhões. Em 2009, esse valor recuou para R$ 23 milhões.

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