Recém eleito presidente da ABF - Associação Brasileira de Franchising, biênio 2009/2010, exerce o cargo de CEO da Brazil Fast Food Corp. - BFFC, holding controladora da Rede Bob's sendo seu principal executivo. Exerce ainda a vice-presidência de Fast Food do SindRio (Sindicato de Restaurantes e bares do Rio de Janeiro), é sócio fundador do IDV (Instituto para o Desenvolvimento do Varejo), e é colaborador voluntário da Endeavor. Bomeny é administrador de Empresas, com Pós Graduação em Marketing, MBA em Finanças Corporativas e MBA em Varejo. Desempenhou diversas funções em empresas de Fast Food (Bigburger, Pastello e Bob's) e, nos últimos 17 anos, atuou no Brasil e exterior. Nesta entrevista, ele faz uma análise sobre a importância do setor de alimentação fora do lar para mercado de franchising no Brasil, as perspectivas para 2009, além de expor seus planos frente à presidência da ABF.
Abrasel – O senhor foi eleito para a presidência da ABF (biênio 2009/2010) quais são os principais projetos para sua gestão frente à entidade?
Ricardo Bomeny – Temos alguns projetos em andamento e que pretendemos reforçar. Basicamente o fortalecimento do setor de franchising no Brasil, o desenvolvimento das redes franqueadoras e da captação de novos associados. Outro vetor que estamos trabalhando é a internacionalização das marcas, um processo que começou há alguns anos e foi bastante fortalecido com o projeto da Apex. Não é um projeto de internacionalização de produtos e sim de marcas franqueadoras, que hoje já são 54 que o Brasil já exporta no setor de franquias. Outro projeto que temos é para o aumento da capacitação dos associados e da comunidade que está no entorno do setor de franchising. Temos um problema para resolver, estamos com uma demanda por cursos e eventos maior do que temos conseguido ofertar, então nossa intenção é ampliar essa base de cursos, eventos, workshops e convenções. Outro foco será a aproximação da ABF com outras entidades e com o próprio governo, no sentido de defender interesses comuns para o setor, para o varejo e de uma maneira geral para nosso país. Como pano de fundo disso tudo, pretendemos como projeto principal dar uma maior assessoria e retorno aos nossos associados.
Abrasel – Como é a governança da ABF?
Ricardo Bomeny – A ABF é bastante profissionalizada. Temos uma sede própria em São Paulo. Na estrutura, temos o diretor executivo, que é o Ricardo Camargo e temos a diretoria eleita, composta por 12 diretores. Entre eles, eu, que fui eleito como diretor presidente, o vice-presidente, diretoria de cursos e eventos, diretoria de Comunicação e Marketing, o Administrativo e Financeiro, a diretoria Institucional, a Jurídica, a diretoria de Franqueados, a de Relações Internacionais e a diretoria de Expansão. Temos ainda duas diretorias adjuntas, uma para o interior de São Paulo e outra para o interior de Minas Gerais.
Abrasel – Quais as perspectivas e desafios para o sistema de franquias no Brasil?
Ricardo Bomeny – Existem questões pontuais que o setor e a ABF especificamente está defendendo entre elas a formação de novos integrantes do setor de franchising, sejam novos franqueadores ou mesmo executivos. Buscamos também há algum tempo a aprovação final da nova Lei do Franchising, que está neste momento na Casa Civil. Temos a questão relativa ao ISS, sobre royalty, que estamos discutindo e está no Supremo. Como principal perspectiva está o crescimento, em um período onde está todo mundo está um pouco assustado com o comentário de crise mundial.
Abrasel – Você disse que uma das metas da sua diretoria é a aproximação com outras entidades. É possível prever um entrosamento ainda maior e possíveis parcerias entre a ABF e a Abrasel?
Ricardo Bomeny – Eu diria que no caso da Abrasel, nós já temos uma aproximação grande, não só pelo relacionamento pessoal bastante forte que temos com o Célio Salles, presidente do Conselho de Administração, mas também institucionalmente, pois já a gente já vem trabalhando juntos em encontros que temos feito do setor de alimentação. Já é o terceiro ou quarto encontro que fazemos em parceria, do qual participam a Abrasel, a NRA, a própria ABF e formadores de opinião, no sentido de promover o fortalecimento entre as entidades para interesses comuns no setor de alimentação, especialmente.
Abrasel – Qual a importância do setor de alimentação fora do lar para o franchising? Qual a participação das redes de alimentação na quantidade e faturamento do setor de franquias?
Ricardo Bomeny – O setor de alimentação é um dos mais importantes e um dos maiores também no franchising. Para se ter uma idéia, em termos quantitativos, nas redes franqueadoras, em unidades, representa 20,1% e 16,2% do faturamento do setor.
Abrasel – O Brasil conta hoje com quantos franqueadores? Quais as principais redes e quais novas franquias o senhor considera mais promissoras?
Ricardo Bomeny – São aproximadamente 1.200 e eu me reservo, normalmente, a não colocar essa questão de principais, até mesmo porque hoje ela pode ser, mas não será mais. Prefiro então não nomear as principais, mas temos grandes redes em todos os segmentos. No setor de educação, cosméticos, alimentação, vestuários. No mesmo caso, sobre as franquias promissoras, prefiro não citar, até mesmo para não ser injusto com alguma outra rede. Mas têm algumas no setor de acessórios que estão apresentando trajetória de sucesso, também no segmento do café, que é uma nova atividade que vem ocupando espaço e alguma outra inovação no setor de educação.
Abrasel – A pesquisa sobre o desempenho do setor de franquias no terceiro trimestre de 2008, divulgada pela ABF, apontou um crescimento de 21,6% no faturamento das redes comparado ao mesmo trimestre de 2007. E no acumulado de janeiro a setembro de 2008, o estudo apontou também um crescimento no faturamento de 23,9%, comparativamente a 2007. O que determinou esses números?
Ricardo Bomeny – Alguns aspectos como a própria maturidade do setor de franchising no Brasil, como um setor onde você tem uma segurança maior nos negócios, para se ter uma idéia o índice de mortalidade nosso é muito baixo. Nós aprimoramos muito também a Feira de Franchising no sentido de captação e fomento de negócios. Em junho, em São Paulo, tivemos a maior feira, que hoje inclusive é considerada uma feira latino-americana. E finalmente, o próprio crescimento do país. Temos assistido nos dois últimos anos, um sopro bastante favorável em todos os setores.
Abrasel – Do total de amostras da pesquisa 29% são do setor de alimentação. Qual foi o desempenho desse segmento e quais foram os que apresentaram melhores resultados em 2008?
Ricardo Bomeny – O crescimento do setor de alimentação está em linha com o crescimento do setor de franchising. O destaque eu acho que ficaria para o café, com a entrada de novas marcas, algumas internacionais e outras criadas aqui mesmo no Brasil.
Abrasel – Qual é a projeção de evolução no faturamento para este último trimestre e para o fechamento de 2008, especialmente no que se refere ao setor de alimentação?
Ricardo Bomeny – Não temos a previsão por setor. A previsão nossa para o último trimestre é de um crescimento de 22,9% para todo o setor de franquias comparado ao mesmo período de 2007. Eu diria que o setor de alimentação vai ficar nessa média.
Abrasel – Qual é a expectativa para a expansão no número de lojas?
Ricardo Bomeny – Temos uma expectativa para 2009 de expansão de 5 a 6% no número de lojas.
Abrasel – Falando em 2009, quais são as perspectivas, tendências e os principais desafios para o setor de alimentação fora do lar?
Ricardo Bomeny – A tendência é continuar crescendo, as redes de alimentação de uma maneira geral tem se profissionalizado bastante. Eu diria que muitos estão entrando para a formalidade, muitos estão corrigindo todas as questões relativas à Anvisa, na maioria das vezes sanitárias. Nós temos um desafio de ponto comercial, tanto nos shoppings centers, como nos pontos de rua e o próprio crescimento do país gerou um inflacionamento desta área. E finalmente as exigências que o governo, cada vez mais, impõe ao nosso setor, que têm um lado bom, que é o da correção, da profissionalização, mas que tem alguns exageros também.
Abrasel – E quais são esses exageros?
Ricardo Bomeny – Uma regulação talvez muito excessiva para certos procedimentos, como pro exemplo a questão da gorjeta. O setor tenta buscar uma solução de forma a conviver bem com esta questão em benefício ao trabalhador e encontra resistências de uma legislação específica para isso. Outra que poderia citar é a questão da substituição tributária, sobretudo no estado de São Paulo, onde cada vez mais está se cobrando imposto na entrada. Isto não teria problema nenhum, até mesmo porque é uma substituição, mas em alguns casos como o do setor de alimentação fora do lar, a gente faz a transformação dentro do restaurante, então este imposto pode estar, em alguns casos, sendo tributado duas vezes.
Abrasel – Como se dá o processo de consolidação e surgimento de grandes estruturas empresariais no setor? E como está a atuação do capital internacional e as redes internacionais no país?
Ricardo Bomeny – A consolidação vem por meio do crescimento, do investimento em capacitação e por outro lado da própria maturação do setor de franchising. Como já falamos, o setor já tem 1.200 redes com um faturamento de 46 bilhões, números de 2007. Então quando tudo isso cresce, as empresas crescem junto e nesse sentido o país tem sido também para redes internacionais. Para se ter uma idéia desse total de marcas, 100 são internacionais.
Abrasel – Nos últimos 20 anos, em todos os planos econômicos e instabilidades financeiras que o Brasil já passou, as franquias sempre foram as últimas a entrar na crise e as primeiras a sair delas. É o que você falou, o índice de mortalidade é pequeno. Como será o comportamento desta vez com relação à crise financeira mundial? Existem segmentos que podem ser mais prejudicados?
Ricardo Bomeny – Ainda que a gente entenda que há uma crise em alguns lugares, embora ninguém saiba a dimensão exata dela, nós estamos trabalhando com uma perspectiva de crescimento. Eu mencionei que para 2009, trabalhamos para 2009 com a perspectiva de 5 a 6% no crescimento de número de unidades e de 12 a 13% no faturamento. Não é que o setor está alheio ao que está acontecendo. O que acorre é que no momento em que muitas pessoas podem ter perdido dinheiro na bolsa, ou estão insatisfeitas com aplicações financeiras, elas passam a acreditar muito mais em seu próprio potencial e vão para a atividade produtiva. E quando isto acontece, e elas buscam construir seu próprio negócio, o setor de franchising gera uma atração natural, não só pelas marcas, mas pela segurança que se tem em investir em um sistema já consolidado.
Abrasel – Então quem estava prestes a realizar investimentos e não quer arriscar agora em ações ou pacotes bancários devido à crise econômica mundial, investir seu capital numa franquia é uma boa opção para o momento?
Ricardo Bomeny – É uma excelente opção, principalmente porque a taxa de mortalidade é de menos de 1%, diferente de um negócio criado a partir do zero.
Abrasel – Este cenário que você traçou está considerando as perspectivas do governo brasileiro? O ministro Mantega anunciou uma desaceleração do crescimento que deve ficar em torno de 4% ao ano em 2009.
Ricardo Bomeny – Você olhando pra isso é até curioso, porque as pessoas às vezes falam em desaceleração e alguns confundem com depressão. O que o ministro falou de 4%, se você pegar os últimos 10 anos, deve-se ter tido dois ou três anos em que o país cresceu mais do isso. O setor de franchising cresce mais de dois dígitos há cinco anos, o que representa muito mais do que o PIB em si. Se confirmar o que o ministro falou, um crescimento de 4%, significa dizer que, muito provavelmente, conseguiremos atingir a expectativa que traçamos.
Abrasel – Quais são as cidades com melhor potencial para se investir e os negócios que possuem menores tendências de instabilidade, mercado comprador latente e com possibilidade de alta?
Ricardo Bomeny – Eu não faria uma distinção deste ou daquele setor. Algumas pessoas estão falando em desaceleração no que não é franquia e está no setor de construção. Mas eu não tenho visto isto nas empresas franqueadoras desta área. As empresas continuam crescendo, abrindo novas unidades, até porque tem muita coisa a fazer nessa área. Eu diria que o nordeste e o norte são mercados ainda pouco explorados. No Brasil se tem pouco hábito da interiorização, que é uma das questões que tanto pela Abrasel, quanto pela ABF existe muita oportunidade. É claro que no Rio e São Paulo também têm, mas talvez as oportunidades estejam em regiões menos exploradas e menos competitivas.
Abrasel – Quais as principais estratégias e aspectos que devem ser considerados na construção de uma marca e quais as dificuldades de internacionalização das marcas brasileiras?
Ricardo Bomeny – Em termos de estratégias, tem que se pensar muito na boa equipe. Os negócios são feitos a partir das pessoas, então se você tem uma boa equipe e conseqüentemente consegue criar uma boa estrutura você terá muito mais chances de uma melhor construção da marca. Obviamente, que dependendo do setor, as pesquisas ajudam muito a identificar e fazer com a sua marca seja cada vez mais forte. Com relação à questão da internacionalização, existem alguns desafios, um deles é o próprio registro das marcas, em muitos países não temos acordos e isso se torna mais difícil.
Abrasel – Vamos falar um pouco do Bob’s, qual a realidade dessa franquia hoje no Brasil? Qual a receita de sucesso e seu diferencial de mercado?
Ricardo Bomeny – O Bob’s hoje está muito bem, é a empresa com maior cobertura geográfica do país no setor de alimentação. Estamos em todos os estados com uma loja que abrimos agora no Acre. Vamos fechar o ano com um crescimento de mais 20%, 671 pontos de venda. Temos uma presença internacional ainda pequena, com três pontos de venda em Angola. Fechamos agora em outubro uma mater franquia com um grupo chileno, que vai representar nossa marca no mercado do Chile. De forma que, nesta parte internacional teremos um foco maior na América do Sul, por questões de logística, culturas e de proximidade. Esta experiência vai nos dar condições de ira para outros países. Receita de sucesso é muito trabalho, muita perseverança, é pensar grande. Como diferencial, nós temos uma marca, eu ao mesmo tempo que é tradicional, pela idade, o Bob’s foi fundado em 1952, já tem 56 anos, se mantém jovem, como posicionamento. O público que freqüenta as nossas lojas sabe diferenciar o sabor brasileiro e tem uma interação grande com o ambiente que a gente oferece.
Abrasel – Qual o perfil do empreendedor que o Bob’s busca ao vender sua franquia?
Ricardo Bomeny – É um perfil de quem vai à frente do negócio, ou seja, acreditamos muito que o negócio de alimentação é feito de muito detalhe e requer a presença efetivamente do dono à frente do seu próprio negócio.
Abrasel – O que é a Brazil Fast Food Corporation (BFFC)/ Bob’s? Quais os seus planos e objetivos?
Ricardo Bomeny – A BFFC é a holding da empresa, que é licitada na bolsa de Nova York, ou seja, de capital aberto, embora o controle acionário esteja no Brasil, mas é uma empresa com sede nos Estados Unidos. A BFFC teve como missão ser uma empresa multi-marcas e nós iniciamos esse projeto com a aquisição, em 2007, das lojas da KFC, uma das marcas do grupo Yum! Brands Inc., que é o maior grupo de restaurantes do mundo, também dono da TacoBell, da Pizza Hut e de outras marcas. Em 2008, adquirimos a franquia da Pizza Hut na cidade de São Paulo, como extensão da nossa linha, com outra marca no setor de pizzas. Ao adquirirmos a IRB e uma marca de café chamada In Bocca Al Lupo com quatro unidades apenas, fazia parte do mesmo negócio. Com a assinatura do contrato de mater franquia com a empresa do Chile – GED – nós adquirimos também o direito de explorar a marca Doggis, especializada em hot dog para o Brasil inteiro, da mesma maneira que nós temos a concessão de exploração da marca KFC através de loja própria ou de franquia. Com isso, chegamos ao final deste ano com cinco marcas. Para desenvolver é claro que a gente já tem bastante coisa para fazer para os próximos anos, mas a nossa idéia é justamente crescer essas marcas e desenvolver um plano de negócios para cada uma delas.
Abrasel – A BFFC tem uma engenharia de negócios inovadora. Como foi concebida e viabilizada e quais as novidades e lançamentos para este próximo ano?
Ricardo Bomeny – Como a BFFC atua em várias marcas, para cada uma delas temos objetivos e posicionamentos de mercado diferentes. O mercado atualmente é mais dinâmico, isto quer dizer que hoje lança-se mais produtos do que se fazia no passado, como inovação. E cada vez mais a maneira como você constrói os restaurantes, o ambiente que você cria tem que estar ligado ao posicionamento de cada marca na percepção do consumidor. Para cada marca temos planejamentos diferentes para que seja mais bem entendida por parte do consumidor.
Abrasel – Qual o conselho que poderia ser dado àqueles empreendedores que desejam ou já iniciaram suas franquias?
Ricardo Bomeny – Não desista, esteja à frente de seus negócios, seja perseverante, trabalhe muito bem a sua equipe, pois sem ela você não consegue fazer muita coisa e sonhe mais alto
Receba por e-mail os informativos da Abrasel:
© Abrasel 2006 | Termos de uso |
webmail |