Maior promotora de feiras do setor de alimentos e bebidas do País, a Fispal foi adquirida no mês de setembro pela Brazil Trade Shows Partners (BTSP), companhia de investimentos formada pelo empresário e publicitário Flávio A. Corrêa e pelo fundo de investimentos em participações DLJ South American Partners. O presidente da empresa, Flávio Corrêa, que já ocupava o cargo de presidente executivo (CEO) da Fispal desde 2005, diz que a aquisição pelo fundo de investimentos é “mais um passo importante no processo de crescimento e modernização da empresa e na evolução do setor de feiras e eventos no Brasil”. Em entrevista ao site da Abrasel, Corrêa fala sobre a divisão da Fispal e os novos projetos para expansão da Brazil Trade Show e acrescenta que dentro em breve espera “anunciar novas ações que aumentarão ainda mais a capacidade da Fispal para servir ao propósito de colaborar com o desenvolvimento do setor de alimentos e bebidas, sua vocação há quase um quarto de século”. Confira:
Abrasel: – O que vai significar para a Fispal e para o setor de alimentos e bebidas a mudança do controle acionário com a aquisição de 100% do capital social da empresa pela Brazil Trade Shows Partners S.A.?
Flávio Corrêa: – Ainda estamos estruturando nossos planos para o futuro próximo, mas nosso objetivo é transformar a imagem da Fispal, uma empresa familiar, em uma das mais profissionalizadas empresas na área de feiras e eventos. Dentro em breve, anunciaremos novas ações que aumentarão ainda mais a capacidade da Fispal para servir ao propósito de colaborar com o desenvolvimento do setor de alimentos e bebidas no País.
Abrasel: – Como ficou a divisão entre a Fispal Brasil e a Fispal Latino? Qual será o foco principal a partir de agora?
Flávio Corrêa: – A compra incluiu as três feiras realizadas pela Fispal no País (Fispal Tecnologia, Fispal Food Service e Fispal Nordeste) e excluiu a Fispal Latino, pois o objetivo da Brazil Trade Shows Partners é investir no mercado da América Latina e não em iniciativas nos Estados Unidos.
Abrasel: – E o nome Fispal continuará sendo utilizado?
Flávio Corrêa: – Sim, pois esta é uma forte e tradicional marca do mercado nacional de feiras, conhecida por aqueles que atuam na cadeia produtiva de alimentos e bebidas, não só no Brasil, mas também no exterior, com ênfase nos países da América Latina.
Abrasel: – Quais são os principais projetos e investimentos da Brazil Trade Shows Partners a partir de agora?
Flávio Corrêa: – Há oportunidades de expandir os negócios da empresa no Brasil e na América Latina, com possibilidade de aquisições de outras promotoras de feiras voltadas para o Mercosul, México e para as regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil.
Abrasel: – Como foi o resultado da Fispal Norteste, recentemente promovida em Pernambuco?
Flávio Corrêa: – Há cinco anos nossa empresa vem participando ativamente do processo de expansão da economia nordestina, mostrando, a cada ano, a empresários de todo o Brasil e do Exterior, os avanços obtidos e propiciando condições para novos e importantes negócios na Região. A quinta edição da Fispal Nordeste consolidou o melhor resultado já alcançado no evento, destacando a feira como importante ambiente de encontro do setor de alimentos e bebidas no cenário econômico do Nordeste.
Abrasel: – A parceria entre a Fispal e a Abrasel têm rendido bons frutos? Há planos para ampliar este trabalho?
Flávio Corrêa: – A parceria sempre rende bons frutos e queremos sim ampliar nossas relações a fim de criar um ambiente político-comercial favorável, defender interesses e multiplicar negócios para as empresas que atuam neste mercado. Os acordos de atuação conjunta com a entidade representam uma união de esforços que contribui muito para o desenvolvimento dos serviços de alimentação fora do lar e, por extensão, de todo o mercado de alimentos e bebidas no Brasil.
Abrasel: – A cadeia de alimentos do Brasil está preparada para ganhar outros mercados? Quais as medidas necessárias para ampliar esse mercado?
Flávio Corrêa: – As exportações brasileiras de alimentos e bebidas só não são maiores porque temos gargalos na infra-estrutura. Além disso, os produtores brasileiros, especialmente os de médio e pequeno porte, são carentes de informações sobre o mercado para o qual desejam exportar, assim como de crédito facilitado para investirem em sua produção, agregando tecnologia indispensável para competir no exterior. É preciso promover acesso à informação, crédito e tecnologia.
Abrasel: – Onde há maior demanda para os produtos alimentícios brasileiros?
Flávio Corrêa: – O Brasil é, historicamente, um país exportador de commodities. Nosso café, soja e açúcar são fortes itens da pauta de exportações. O que temos defendido, como empresa promotora de feiras do setor, é a exportação de produtos com maior valor agregado. Demanda existe em muitos lugares, com vantagens maiores ou menores, de acordo com o tipo de produto ofertado. A proximidade com os vizinhos da América do Sul torna o comércio com esses países mais acessível. O mercado africano – carente por bons produtos, mas de menor custo – é outra porta para os produtores brasileiros. As exportações brasileiras para o mercado árabe, grande importador de carne de frango e carne bovina, só fazem crescer ano a ano, assim como o comércio com o mercado europeu, que se abastece da carne brasileira e acolhe bem nossas frutas, entre outros produtos, como a cachaça.
Abrasel: – As marcas brasileiras são fáceis de vender?
Flávio Corrêa: – Não, marcas não são fáceis de vender no exterior, sejam elas brasileiras ou de outras nacionalidades. Criar e consolidar uma marca é um trabalho de longo prazo e uma tarefa permanente, mas factível. A Sadia é um bom exemplo. Se é verdade que a marca é o principal ativo de qualquer empresa, é preciso dar prioridade a essa tarefa estratégica. É a velha história: quando se colhe o primeiro aspargo na nossa horta a gente se pergunta: por que não comecei a plantar cinco anos antes?
Abrasel: – As exportações de produtos alimentícios brasileiros têm apresentado crescimento? O momento é favorável para isso?
Flávio Corrêa: – Dados da Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação), uma das principais entidades do setor, apontam que as exportações de alimentos deverão apresentar excelente desempenho este ano, com incremento no volume que poderá alcançar até 15%.
Abrasel: – Como está a participação das médias e pequenas empresas no conjunto das vendas externas brasileiras?
Flávio Corrêa: – Como já disse, é necessário levar informação e dar crédito ao médio e pequeno produtor para ampliar a sua participação tanto no mercado interno quanto no externo. Neste sentido, eu destacaria o importante papel do Sebrae, que possui excelentes iniciativas em todo o País. Recentemente, tivemos na Fispal Nordeste a presença do Sebrae-PE que levou à feira laticínios da região de Garanhuns, município do Agreste Pernambucano. Estes laticínios integram um projeto da entidade que visa o desenvolvimento da cadeia produtiva do leite na região, levando tecnologia aos produtores locais. Quem sabe, em breve, encontraremos o queijo coalho ou o queijo manteiga, tradicionais do Nordeste, sendo utilizados em pratos preparados por renomados chefs de cozinha na Europa ou no Japão?
Abrasel: – Os empresários brasileiros têm visão de mercado, ou seja, sabem explorar essas oportunidades, principalmente no que se refere à exportação?
Flávio Corrêa: – Não, na sua maioria ainda não. O Brasil é historicamente um país produtor e exportador de commodities. Portanto, não há muita necessidade de vender. Nosso produto primário é comprado. Só agora é que estamos pensando em produtos com valor agregado. E nessa hora é preciso vender. Oportunidades existem no planeta inteiro, mas outra vez, é um trabalho de longo prazo que requer decisão estratégica e planejamento. Mas compensa.
Conhecida pelas feiras que realiza há 23 anos, a Fispal passou por ampla reformulação nos últimos tempos. Hoje é considerada uma referência no setor, participando e influindo na evolução de toda a cadeia de suprimentos dessa área. São tradicionais na empresa as feiras Fispal Tecnologia e Fispal Food Service, ambas realizadas em São Paulo, além da Fispal Nordeste, que chega à quinta edição, no Recife (PE). Como principal promotora de feiras voltadas para o mercado de alimentos e bebidas da América Latina, a Fispal busca a evolução das empresas do setor, fomentando também as exportações de alimentos produzidos e industrializados no Brasil.
Suas feiras combinam ações que agregam treinamento, fóruns, conferências, estímulo ao desenvolvimento de equipamentos e embalagens, ao lado do intercâmbio de negócios e parcerias, difusão de informação e conhecimento no portal (http://www.fispal.com) e em publicações dirigidas especificamente ao seu público.
A Fispal relaciona-se com empresas de segmentos como equipamentos para embalar, embalagens e matérias-primas (papel, vidro, metal e plástico); máquinas e equipamentos para processar alimentos, automação, logística e insumos; produtos alimentícios (carnes, pescados, chocolates, cafés especiais, polpas de frutas tropicais, entre outros) voltados para os estabelecimentos que compõem o food service – a alimentação fora do lar; e equipamentos e acessórios para cozinhas de restaurantes, bares, lanchonetes, padarias, hotéis e outros.
Flávio Corrêa nasceu em Porto Alegre e ao longo de sua vida profissional alternou atividades no jornalismo e na publicidade. Começou nos Associados do Rio Grande do Sul (vespertino A Hora, Diário de Notícias e TV Piratini). Fundou sua própria agência de publicidade em Porto Alegre, a Sogapp, mais tarde transformada em Denison Propaganda RS. Foi diretor da Rede Record de Televisão, na década de 70, presidente da Standard Ogilvy & Mather e membro da Diretoria Mundial da Ogilvy & Mather Worldwide.
Trabalhou em Nova York, com o criador da agência, David Ogilvy. Foi presidente da Ogilvy para a América Latina e Caribe. E, logo depois, como membro do seu Comitê Executivo Mundial, desempenhou funções executivas nos cinco continentes. Nesse percurso, fundou várias empresas e construiu marcas e cases de sucesso em diversos países.
Criado no final de 2006, o DLJ South American Partners é o resultado de uma aliança estratégica entre a área de investimentos alternativos do Credit Suisse e uma equipe de profissionais com mais de 40 anos de experiência em investimentos de private equity na América Latina. A Equipe do DLJ SAP é formada por seis sócios liderados no Brasil por Marcelo Medeiros e Mario Spinola.
O DLJ SAP tem aproximadamente US$300 milhões de capital comprometido e escritórios em São Paulo e Buenos Aires. O DLJ SAP realizou dois investimentos até o momento: adquiriu conjuntamente com o empresário Woods Staton as operações do McDonald´s na América Latina e, em sociedade com o Sr. Flávio A. Corrêa formou a Brazil Trade Shows Partners S/A, que comprou a totalidade do capital da Fispal, a maior organizadora de feiras no setor de alimentos e bebidas do Brasil.
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