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Sílvio Leite – Secretário de Estado de Turismo do Piauí

Sílvio Leite integrou a primeira gestão do governador do Piauí, Wellington Dias (PT), quando assumiu a pasta da Comunicação e coordenou a sua campanha de reeleição. Agora, à frente da Secretaria de Turismo, ele fala sobre o Roteiro Integrado, os investimentos do Governo na área de Turismo, os planos para a área de gastronomia, a construção do Aeroporto Internacional de São Raimundo Nonato e diz que o piauiense precisa acreditar no potencial turístico de seu estado, por isso a Secretaria de Turismo vai investir neste trabalho de divulgação interna. Confira a entrevista exclusiva que o Secretário concedeu ao site da Abrasel.

Abrasel – Na sua visão, qual é o cenário atual do setor de turismo no Piauí e no Brasil?

Sílvio Leite – Eu acho que no Piauí e no Brasil ainda estamos precisando acreditar que o turismo é uma grande indústria que gera emprego e renda. O Brasil ainda não se deu conta das potencialidades que tem, dos atrativos que agradam turistas do mundo inteiro. Alguns Estados, como a Bahia, Ceará e Rio de Janeiro, destacam-se, mas no resto do Brasil, o turismo ainda é muito incipiente. É preciso que se faça um grande esforço por parte dos governos tanto estadual como federal para mudar isso. No caso do Piauí, é preciso, primeiro, que os piauienses acreditem que aqui temos coisas belas que encantam. Os turistas estão atrás de coisas que não se vê em qualquer lugar, e aqui temos essas belezas. Em termos de potencialidades e roteiros, temos um grande tesouro nas mãos, mas ainda sem uma boa estrutura para receber o turista. É preciso ser feito um grande esforço por parte dos governos tanto estadual como federal para mudar isso.

Abrasel – Nestes últimos anos, quais foram os principais investimentos e ações nesse setor e quais os resultados alcançados?

Sílvio Leite – Em termos nacionais houve um foco muito grande para o Rio de Janeiro, não sei se foi a Embratur ou o próprio Ministério do Turismo, mas as peças oficiais apareciam sempre vendendo o Rio. Paralelo a isso, a mídia focava a onda de violência que cresceu no Rio, que acabou afugentado o turista. Em vez de vender outros destinos, como a Amazônia, o Pantanal o Nordeste lá fora, a imagem do Brasil continua sendo muito o Rio de Janeiro, quando o Brasil tem muitos outros atrativos.

Abrasel – O que o Piauí priorizou no setor de turismo?

Sílvio Leite – Nestes últimos anos, estamos priorizando o turismo interno, é preciso que o piauiense conheça as belezas do Piauí. Para isso, foram investidos recursos em estradas que dão acesso às cidades turísticas e em setores básicos, como o abastecimento de água e energia. Nenhum turista vai visitar um local onde não existam pelo menos esses quesitos básicos. O ramo do turismo também vem sendo valorizado pelos empresários que buscam qualificar a mão-de-obra. Não é à toa que já temos vários cursos de turismo no estado. Além disso, buscou-se muito investir em eventos e festas e o principal ficou esquecido: o turista quer ser bem recebido e bem tratado, por isso, nesses últimos anos, o governo procurou trabalhar primeiro uma infra-estrutura que inclui boas estradas, água de qualidade e energia elétrica.

Abrasel – Quais são as principais vocações e potencialidades do Estado?

Sílvio Leite – O Piauí tem potencialidades que poucos Estados têm. Temos uma diversificação de cenários, como o Delta, Serra da Capivara e Sete Cidades; atrativos como a culinária e o artesanato, que encanta.

Abrasel – Quais são as dificuldades que o setor enfrenta e o que pode ser feito para estimular o seu crescimento?

Sílvio Leite – As dificuldades… Eu acho que o turismo no Piauí vem se arrastando ao longo do tempo, cada um esperando que o outro faça sua parte. A iniciativa privada espera pelo governo, o governo espera pela iniciativa privada, e isso tem que ser uma ação conjunta. Na hora que todo mundo entender que tem que fazer a sua parte, as coisas vão acontecer.

Abrasel – Como a Setur (Secretaria do Turismo) irá trabalhar a infra-estrutura turística no Piauí?

Sílvio Leite – Temos recursos destinados pelo Prodetur I, II e III para trabalhar infra-estrutura em cidades turísticas do Piauí. Como por exemplo, a conclusão do Projeto Orla da Atalaia, uma reforma que será feita no Porto das Barcas e outras obras também no litoral como forma de nos preparar para a efetivação do Roteiro Integrado Piauí, Ceará e Maranhão.

Abrasel – Quanto à conclusão do aeroporto de São Raimundo Nonato, existe uma previsão de término?

Sílvio Leite – Já resolvemos uma parte legal e financeira para continuarmos a obra. Temos um cálculo de que em 18 meses essa obra poderá ser concluída.

Abrasel – Em relação aos vôos charters, como o senhor vê este novo portão de entrada pelo litoral do Piauí e quais serão as principais contribuições para o turismo daquela região? Como funcionará o Consórcio Piauí, Ceará e Maranhão?

Sílvio Leite – Os vôos charters são muito importantes, já que temos históricos de muitos atrativos do litoral que ainda são desconhecidos fora do Brasil, e esses turistas italianos que chegam aqui, se bem tratados, acabam sendo os grandes divulgadores do nosso Estado. Depois, a nossa contribuição será lutar para concluir a pista do aeroporto de Parnaíba para que aviões de maior porte e econômicos possam pousar. O consórcio é uma maneira de fortalecer esses três Estados. Todas as ações e recursos serão pensados nessa integração. Os governadores estão convictos de que precisam dar as mãos.

Abrasel – Quais as prioridades em termos de divulgação do turismo piauiense?

Sílvio Leite – Primeiro, temos que criar uma mentalidade interna do nosso potencial turístico. Temos que garantir a infra-estrutura e um bom receptivo, para partirmos a uma divulgação externa do turismo do Piauí. É preciso certeza de que se o turista vier ao Piauí, ele será bem recebido para que passe a ser um potencial divulgador das nossas belezas.

Abrasel – Dentro do programa de governo para o setor de turismo no Estado, quais são os planos para a área de gastronomia?

Sílvio Leite – A gastronomia é típica da iniciativa privada. Agora, temos é que levantar a bandeira da valorização da nossa gastronomia, fazer com que o piauiense incorpore no cardápio oferecido aos visitantes a comida tipicamente piauiense. Quem cuida da economia é a iniciativa privada, nós, como Governo, podemos fazer campanhas de auto-estima e de valorização da nossa culinária.

Abrasel – Na sua opinião, qual contribuição a gastronomia tem dado para o setor de turismo e quais ações são fundamentais para estimular o crescimento do setor de alimentação fora do lar?

Sílvio Leite – Esse setor é fundamental, porque o turista quer conhecer novos lugares, mas quer comer bem. É preciso que o turista seja levado aos restaurantes regionais, fazer com que cidades que têm um potencial gastronômico sejam ponto de visitação. Por exemplo, Campo Maior é conhecida pela carne-de-sol. Por que não levar o turista para experimentar a melhor carne-de-sol do Brasil em Campo Maior?

Abrasel – Há estudos sendo realizados pela ABRASEL-PI para criação de uma Escola de Gastronomia em Teresina. Qual a sua avaliação sobre essa ação?

Sílvio Leite – Precisamos apoiar não só a escola de formação para gastronomia, mas uma escola de mão-de-obra para restaurantes e bares.

Abrasel – Qual a visão o Governo do Estado tem sobre investir no conceito de roteiros gastronômicos como atrativo para o turismo? Quais roteiros são possíveis no Estado?

Sílvio Leite – Dentro do fortalecimento dos roteiros turísticos, com certeza, a gastronomia faz parte. Eu lembro que a gente chega em Natal e o natalense nos leva para Nísia Floresta, que fica a 60 quilômetros de Natal (RN), só para comer o camarão; lá, não tem outro atrativo. Então, vamos desenvolver o hábito de levar o turista para comer a paçoca e a carne-de-sol em Campo Maior; o bode, em Demerval Lobão e Monsenhor Gil. Serão mais pessoas trabalhando nesse ramo do turismo.

Abrasel – Como o senhor avalia a possibilidade de maior envolvimento e de parcerias com a ABRASEL-PI na realização de programas, como a Qualificação de Serviços e Gestão, e eventos, como o Festival Gastronômico Brasil Sabor, por exemplo?

Sílvio Leite – Todas essas instituições, como a Abrasel e Abave, são importantes nesse projeto de desenvolvimento do turismo no Piauí. O que precisar ser feito para incentivar e fortalecer essas entidades e suas iniciativas, o Governo do Piauí fará.

Abrasel- Qual a mensagem para os empresários do setor de alimentação fora do lar na sua gestão como Secretário de Turismo?

Sílvio Leite – Espero que eles acreditem que os pratos servidos no Piauí são tão saborosos quanto outros servidos em qualquer lugar do mundo.

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