11/2/2019 - Bares e restaurantes no Rio voltam a ter público e fazem contratações


No início de 2018, ainda houve muitas demissões. Mas, de setembro a dezembro, o saldo foi positivo todos os meses

Depois de um longo período de crise econômica no Estado do Rio de Janeiro, os bares e restaurantes voltam aos poucos às vidas dos moradores. Um levantamento do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio) com seus associados feito com exclusividade para o EXTRA mostrou que, pela primeira vez desde 2014, o setor fechou o ano com um saldo positivo de contratações na capital.

No início de 2018, ainda houve muitas demissões. Mas, de setembro a dezembro, o saldo foi positivo todos os meses, sendo 1.687 pessoas recrutadas, fechando o ano com 40 novas contratações. O número de estabelecimentos também aumentou de 10.500 para 11 mil. Segundo o levantamento, as áreas que mais geraram empregos foram a Tijuca, a Barra da Tijuca e o Galeão.

— Tivemos tempos conturbados com o cenário político e a crise fiscal no estado. O consumo parou porque está muito ligado a segurança e expectativa de futuro. Agora, com a volta de um pouco mais a normalidade, as pessoas estão voltando a consumir, e os restaurantes e bares estão contratando para essa demanda — disse Fernando Blower, presidente do SindRio.

Era com essa perspectiva que muitos empresários investiram e, agora, estão colhendo os frutos. Esse foi o caso do Maguje, um restaurante cervejaria inaugurado em setembro, em uma nova área que construiu no Jockey Club.

— Sempre acreditamos na recuperação do Rio e, por isso, investimos na cidade. O projeto nasceu em 2015, e agora, surpreendentemente, a clientela está até acima das expectativas — afirmou Harrison Baptista, sócio do Maguje, que contratou cerca de 80 funcionários para abrir a unidade.

Os shopping centers também estão apostando na alimentação para atrair mais clientes. Para a BrMalls, uma das maiores empresas de centros comerciais do Brasil, o foco são áreas gourmet. A empresa abriu 17 restaurantes em 2018, com investimentos, principalmente, no Shopping Tijuca; no Plaza Niterói; no NorteShopping, no Cachambi; e no Casa Gourmet, em Botafogo.

— Estudamos o comportamento do consumidor e percebemos que eles buscam viver uma experiência no shopping. E, hoje, é a alimentação que está na moda como um entretenimento e mesmo status — disse Jini Nogueira, diretora comercial da BrMalls, que conta que os investimentos em restaurantes no Rio têm sido um sucesso, principalmente em redes do Abraccio, de cozinha italiana, e da pizzaria Mamma Jamma.

Até quem não está diretamente ligado a esse setor está vendo as oportunidades. O RIOgaleão está apostando em restaurantes e abriu sete em áreas públicas ano passado no aeroporto visando também os moradores da região. Um deles é o americano T.G.I Friday’s, o único da marca no Rio.

—Queremos explorar outros negócios e estar presente na vida do carioca. Vimos que a região da Ilha do Governador é carente de restaurante e quisemos ser uma opção — afirma, Leandro Dantas, head comercial do RIOgaleão, que está investindo em eventos e lançando uma campanha para quem for comer em alguns restaurantes não pagar estacionamento.

No total, o aeroporto abriu 17 unidades, contando com áreas restritas, o que gerou cerca de 500 contratações e cerca de 20 milhões em investimentos. Uma amostra de que esse setor que tanto emprega e alegra o carioca está voltando.

Pós crise, setor profissionaliza a gestão

Entre 2015 e 2017, o saldo do número de bares e restaurantes que abriram e fecharam ficou negativo em cerca de 6.800. A economia contribuiu para crise no setor, mas a falta de profissionalização e gestão também. Agora, quem sobreviveu deve tirar as lições do momento.

—Em geral, o Rio sempre teve um perfil de negócio mais familiar. Mas a crise obrigou o empreendedor carioca a fazer uma gestão mais eficiente, analisando melhor os custos da operação. E agora, esses estabelecimentos estão saindo um pouco mais profissionais desse ciclo — afirma Enzo Donna, diretor da consultoria ECD food Service.

Esse foi o segredo da pizzaria Mamma Jamma, que abriu duas unidades e contratou 75 funcionários em 2018.

—A gestão foi essencial. Com isso conseguimos congelar os preços e atrair os clientes, enquanto concorrentes de preços altos ficaram para trás — diz Marcello Poltronieri, sócio do Grupo NOZ, do Mamma Jamma, que viu a operação crescer 20% no ano passado.

Oportunidades de empreender e de carreira

Para quem quer empreender em bares e restaurantes o mercado ainda está com oportunidades nesse fim de crise.

—Os aluguéis de pontos comerciais estão mais baratos e é possível negociar bons preços. Muitos locais, por estarem endividados, não estão nem cobrando as usuais luvas, que é o direito de usar o local pelo período contratual — diz Marcus Quintella, professor dos MBAs da Fundação Getúlio Vargas.

Para quem busca emprego a retomada do setor é uma ótima notícia, já que ele emprega mais de 110 mil pessoas no estado do Rio. Mas para quem nunca trabalhou na área, agora é importante buscar qualificação.

— Com o desemprego em alta, recebemos uma alta oferta de trabalho, e qualificada. É bom buscar cursos de profissionalização para entrar. O que é bom inclusive para seguir carreira, para ser gerente ou chef — diz Fernando Blower, presidente do SindRio, onde há cursos assim como no Senac.

Segurança atrapalha lazer e negócio

As expectativas para o setor de bares e restaurantes é de uma lenta retomada da atividade. O público já se mostra mais disposto a gastar para sair para comer e beber. Mas a disposição é segurada pelo medo de estar na rua até tarde.

— A segurança é um ponto crítico. Muitos bares tem visto seus clientes saírem mais cedo com medo. Quando não há negócios que até fecharam pela localização — afirma Roberto Maciel, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes.

Os bares de rua são os mais afetados. E com esse cenário, o público tem buscado opções em locais fechados, onde se sentem mais seguros. Assim, os shopping centers tem ocupado esse espaço.

—Nas nossas lojas de rua vimos uma mudança de comportamento. Com o cliente chegando e saindo mais cedo. Por isso, em nosso plano de expansão estamos optando por abrir em shoppings — conta Marcello Poltronieri, sócio do Grupo NOZ, da pizzaria Mamma Jamma, que vai abrir esse ano uma unidade na Tijuca e outra em Niterói.

O Riogaleão também concorda que esse é um desafio e trabalha com as autoridades para tentar melhorar a segurança na região. E afirma que estar em um lugar fechado com a presença da polícia federal tem sido um diferencial.

Fonte: Extra

companhe a Abrasel também nas mídias sociais:

alt alt alt