13/09/2018 - Depois de seis anos, Le Cordon Bleu finalmente abre no Rio


O projeto é fruto da parceria selada, em 2012, entre a instituição francesa e o Governo do Estado

Foram quase seis anos de espera, incertezas e frustrações, mas semana passada - o Le Cordon Bleu carioca finalmente abriu ao público. E já com alunos em sala de aula ou botando a mão na massa pelas oito cozinhas da bem montada unidade do Rio, investimento na casa dos R$ 10 milhões de reais gastos em instalações e equipamentos. 

- Depois que conseguimos abrir na China, tudo é simples para nós - brinca a lisboeta Sofia Mesquita, diretora geral do Cordon Bleu Brasil, também chef de cozinha formada na matriz parisiense e há 13 anos uma feliz moradora do Leblon. - A filial do Rio não deixa nada a dever à outras unidades, de Londres, Tóquio ou mesmo Paris - assegura.

O projeto é fruto da parceria selada, em 2012, entre a instituição francesa e o Governo do Estado, que cedeu o imóvel, de 1.600 m², na Rua Passagem 179, para a escola montar e gerir seus cursos de formação em panificação, doceria e cozinha salgada. Em contrapartida, 20% das 600 vagas, que é a capacidade máxima dali, são revertidas em bolsas de estudo para alunos de baixa renda. A receita foi posta em prática e funcionou: nessa primeira leva, dez alunos egressos da rede estadual fazem sua estreia no CordonTec, como é chamado o módulo de formação que acolhe bolsistas e ensina técnicas de pâtisserie, cuisine, boulangerie e serviço de salão. O Cordon Tec, uma parceria com a FAETEC, dura 12 meses com direito à estágio no restaurante-escola que irá funcionar nas mesmas instalações. Os outros cursos são o Grand Diplôme, Diplôme Cuisine e Diplôme Pâtisserie. Esses têm duração de nove meses, uniforme, kit completo de facas e as apostilas. Para os bolsistas inclusive.

- O cenário gastronômico no Rio vai ser outro. Vamos ter uma leva de profissionais altamente qualificados. Muitos deles não teriam condições de bancar os custos de uma escola com o nível do Cordon Bleu. Na França, cursos de cozinha são gratuitos, qualquer pessoa pode aprender e crescer independentemente do seu nível social. Joël Robuchon ou Paul Bocuse, por exemplo, eram de famílias simples, sem grande poder aquisitivo. E fizeram história - diz o chef Roland Villard, que integra o conselho da escola do Rio. Ele foi o responsável pela vinda da instituição para o país e colaborou na seleção de professores para compor o corpo docente do Rio.

Não foi tarefa das mais simples, já que não basta cozinhar bem. É preciso ter e saber dividir conhecimento e se comunicar bem com os alunos. - No Cordon Bleu não ensinamos receitas e sim técnicas de cozinha - lembra Sofia. Ao todo, já são oito chefs-professores selecionados para tocar as aulas. À frente do naipe, estão o chef pâtissier Philippe Brye, há três décadas no Rio, formado pelo Cordon Bleu francês e um dos maiores nomes de doceria francesa no Brasil. Ele ficará responsável pela parte de doceria e de panificação. Já o carioca João Paulo Frankenfeld, que viveu boa parte na Europa (chegou a chefiar o restaurante Riso), cuidará da parte salgada. Philippe e João Paulo tiveram que ir a Paris fazer uma prova e se submeter ao crivo do corpo técnico da matriz. Passaram com louvor.

O Le Cordon Bleu é a mais tradicional escola de gastronomia do mundo, na ativa desde 1895. Há três anos, ela é presidida por André Cointreau (quinta geração dos produtores do licor e também do cognac Remy Martin). Na verdade, monsieur Cointreau é o dono da escola, que foi comprada, em 1984, pela família Remy Martin. Atualmente, a instituição está presente em 20 países, com 35 escolas e 20 mil formandos por ano. - Nós nos preocupamos em assimilar as características locais. O importante é que ensinamos as técnicas francesas, mas respeitando fundamentalmente a cultura e os hábitos locais de cada país - diz Cointreau.

Na grade de aulas, há de tudo, incluindo um giro pelas cozinhas do mundo, com sabores da Espanha, China (tiveram que importar uma engenhoca especial para o preparo do pato de Pequim), Peru, México, França e Brasil também. 

- Adoro os pratos do Nordeste brasileiro, A partir de agora, a cozinha do país estará sendo ensinada em todas as nossas escolas. Meu sonho é ver um ex-aluno bolsista ser agraciado com estrela Michelin. É um projeto pioneiro, que pode servir de semente para outros países - diz Sofia.

O Cordon Bleu Rio, além do restaurante, que será tocado por profissionais e abrirá ao publico no ano que vem, contará com um simpático café na entrada, lojinha com toda a sorte de souvenirs (o urso vestido de chef é irresistível) e produtos da casa, como geleias, molhos, mostardas, biscoitos. Depois de anos no "banho-maria", não há como não festejar a abertura do Cordon Bleu carioca. As vagas já estão praticamente todas preenchidas, mas até o dia 12, quando a escola estará funcionando integralmente, ainda é possível conseguir um espaço. A partir daí, o Cordon Bleu embala a todo vapor.

Fonte:O Globo

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