11/07/2018 - Rua no Itaim, em São Paulo, passa por reurbanização bancada por restaurantes


Projeto tem como objetivo facilitar o vaivém dos pedestres

Quem passa pelo trecho final da rua Jerônimo da Veiga, entre a Manoel Guedes e a João Cachoeira, em São Paulo, já pode notar a diferença: 15 vagas de estacionamento sumiram. No lugar, surgiram calçadas mais largas, que em breve vão ganhar novo mobiliário urbano, como canteiros, bancos, bicicletário e lixeiras. Quem idealizou foi o grupo de restaurantes que tem como sócio o chef Rodolfo de Santis, 31. Além do Nino Cucina, da Salumeria e do Da Marino, vai inaugurar o Julieta e um novo empreendimento, ainda sem nome, no imóvel onde funcionava o Piove —os cinco estão no mesmo quarteirão.

A Elo entrou como patrocinadora, num programa de parceria com prefeituras, associações comerciais e estabelecimentos do país. Santis não quis divulgar valores. Gestado ao longo de dois anos, o projeto tem como objetivo facilitar o vaivém dos pedestres. “Meus restaurantes têm muita demanda e a rua estava atravancada. A calçada tinha tantos desníveis que era impossível passar com uma cadeira de rodas”, afirma. O projeto foi submetido à aprovação da Prefeitura Regional de Pinheiros. Foi assinado um termo de doação de serviço —na prática, o grupo empresarial acertou pagar a conta a fundo perdido.

“Parcerias do gênero são sempre bem-vindas. É um movimento que veio para ficar e temos todo o interesse em aprovar”, diz a prefeita regional Juliana Ribeiro. Não é a primeira experiência do tipo envolvendo restaurantes de São Paulo. Em 2005, a rua Amauri, também no Itaim Bibi, teve um trecho remodelado. A obra de R$ 1,7 milhão foi bancada pela construtora JHSF e empresários. Na época, a rua era um dos mais badalados corredores gastronômicos da cidade.

O dinheiro foi suficiente para enterrar a fiação, mudar o piso e instalar bancos e jardins.Dois anos depois, foi a vez da rua Avanhandava, na Bela Vista. A iniciativa partiu do restaurateur Walter Mancini, dono da cantina Famiglia Mancini e de outros seis estabelecimentos na mesma rua. A calçada ganhou piso novo. Paisagismo, reforma do sistema para escoamento de águas pluviais e postes de iluminação entraram no pacote.

“A remodelação dobrou o valor dos imóveis e tornou a rua mais segura. A Avanhandava virou ponto turístico”, afirma Mancini, cujos cinco restaurantes recebem 50 mil pessoas por mês. Só na Famiglia Mancini, 40% são turistas. Ele também ficou responsável pela manutenção. Por mês, diz gastar R$ 20 mil com consertos e jardinagem. “Para aprovar a instalação dos acabamentos que eu queria, precisei assinar esse contrato, renovável a cada três anos."

As obras da Avanhandava estão longe do fim —a rua está ganhando novos canteiros e postes baixos de iluminação. Mancini construiu um palco de circo para uso público. O investimento foi de R$ 300 mil. A estrutura, instalada na vitrine de uma de suas lojas, a Caligraphia, fica virada para a rua e abrigará espetáculos a partir de agosto. Para manter o funcionamento, foi acertado patrocínio com a American Express.

“A proposta é oferecer um palco a artistas que não têm onde se apresentar. Basta se inscrever e nós pagamos pelo espetáculo, mas o público assiste de graça.” O retorno desse tipo de investimento, em geral, vem na forma de maior movimento – e, consequentemente, de faturamento mais gordo. Mas todo paulistano sai ganhando, na opinião de Luiz Alberto Marinho, 58 anos, sócio da consultoria GS&Malls, especializada em varejo. “Há uma forte deterioração do comércio de rua por causa da insegurança e reformas assim ajudam a mudar a experiência do consumidor.”

O próprio Santis espera levar os benefícios da reforma da Jerônimo da Veiga a muito mais gente. A versão completa do projeto, assinada pelo arquiteto Marcelo Safadi, prevê que as modificações se estendam por toda a rua.“Como a negociação com moradores e empresários promete ser complexa, não arrisco dizer quando vamos conseguir concluir tudo”, diz o chef.

Fonte: 
Folha de S.Paulo

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