11/06/2018 - Donos de bares e restaurantes avaliam legado da última Copa em BH


Às vésperas do Mundial de futebol, setor AFL em Minas avalia legado da Copa no Brasil em 2014

Parece que foi ontem, mas já se vão quatro anos desde que Belo Horizonte e outras cidades do país sediaram a Copa em 2014. O Mundial chegou em ambiente de tensão social, com críticas feitas aos gastos para viabilizar as exigências da Fifa, mas é inegável que aos primeiros apitos e desembarque das federações em território nacional o encantamento roubou a bola e conduziu o jogo. Ainda há quem suspire de saudades das ruas e bares tomados por turistas. Quatro anos depois, donos de bares e restaurantes analisam o que ficou de legado para o setor e o que não foi pra frente ou naufragou nas promessas não viabilizadas.

No setor de bares e restaurantes, dados de arrecadação dos estabelecimentos, feitos na época do Mundial pela Abrasel em Minas Gerais, mostram que o faturamento ultrapassou a casa dos R$ 12 bilhões. Muitos bares da capital registraram crescimento de mais de 300% no movimento quando comparado com dias normais, especialmente nas regiões da Savassi e Pampulha. Só em BH, a entidade estimou mais de R$ 70 milhões em faturamento nos bares durante o mundial.

Ricardo Rodrigues, presidente da Abrasel em Minas Gerais, acredita que a tempestade econômica que se seguiu ao Mundial foi responsável por deixar um gosto amargo na boca dos comerciantes. “Após a Copa, o governo ainda estava segurando a economia, mas logo depois veio o ponto alto da crise. A gente passou a não ter muito o que comemorar”, afirma.

Quem concorda com essa análise é Rosângela Souto, proprietária do bar e restaurante Rococó, na Savassi. O quarteirão fechado da Rua Antônio de Albuquerque, onde está o estabelecimento, foi um dos mais movimentados na época dos jogos, mas, segundo ela, os reflexos da crise posteriormente ao Mundial foram muito impactantes. “A gente trabalhou horrores na época. Na Savassi, o movimento foi uma coisa atípica, estrondosa. Mas a economia degringolou e tudo o que a gente ganhou acabou indo embora depois”, lamenta.

A Savassi, especialmente, sofreu com a saída de alguns dos bares que se tornaram point durante a Copa. O quarteirão abaixo da Antônio de Albuquerque, por exemplo, está cheio de espaços vazios e alguns bares acabaram fechando, caso da Status. O quarteirão, inclusive, é marcado por placas de aluga-se.

Para o presidente da Abrasel em Minas, se os comerciantes fossem consultados sobre a possibilidade do retorno do Mundial a BH, ele acredita que muitos iam rechaçar a ideia. “A experiência pós-Copa não foi boa. Ela não foi a vilã, mas ficou como pai da criança (a crise), sem ser. Se a gente buscar o meio hoteleiro eles vão excomungar também. Mas, ao mesmo tempo, os equipamentos públicos que ficaram trazem benefícios até hoje”, analisa.

Contudo, Ricardo Rodrigues considera que, além da infraestrutura, o serviço prestado pelos estabelecimentos ainda repercute e qualifica o atendimento. A visibilidade do Mundial contribuiu para isso. “O mercado se preparou muito na época, principalmente para o turismo externo. Os bares tiveram que se qualificar, investindo em treinamento dos funcionários, por exemplo. A Copa ainda melhorou o Mineirão, que, em número de eventos, só perde para o Allianz Park, em São Paulo”, considera.

Essa avaliação positiva também foi feita por Odair Cunha, diretor do Baiana do Acarajé, localizado na Praça da Savassi. Mesmo reconhecendo que a crise impossibilitou um crescimento maior, ele avalia que os pontos positivos se sobrepõem. Especificamente sobre o negócio que administra, Odair vê reflexos até hoje no serviço prestado. Como exemplo, cita o cardápio mais elaborado e a qualificação dos funcionários no momento de lidar com o cliente. Ele comemora os investimentos em infraestrutura e afirma que a região em que o Baiana está localizado acabou tendo mais movimento, tanto de pessoas da cidade quanto de turistas que vêm a BH.

Fonte:  Estado de Minas