30/05/2018 - Saiba como a curadoria musical agrega valor a bares e restaurante


A Bananas Music Branding cria e administra playlists que rodam sonoridades inovadoras, na medida dos perfis de cada clientela

 

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Os proprietários do Bananas Music Branding: Juli Baldi e Rafael Achutti



A sonorização musical de um bar ou restaurante começou a ser conduzida, no Brasil, por uma estrutura tão profissional quanto a de uma equipe de cozinha comandada por um conceituado chef. Já se foi o tempo em que os brasileiros consumiam vinho de garrafão, azeite com elevado grau de acidez e uísque engarrafado no Paraguai. Agora, depois de avanços no seu mundo gourmet, o país escala mais um degrau na agregação de valor aos serviços oferecidos à clientela da alimentação fora do lar, colocando-se um ponto final na improvisação das playlists.


Ou seja: os gestores dos bares e restaurantes começam a adotar a inovadora providência de sintonizar a programação musical ao estilo da casa e ao perfil da clientela. A identidade sonora é acrescentada aos demais itens de personalização do estabelecimento. “A música ambiente passa a ser finalmente entendida como um vetor de qualificação, tanto quanto a decoração, o cardápio, a adega, a qualidade dos talheres, o qualificado atendimento”. É o que afirma Pedro Hoffmann, proprietário de dois restaurantes e três outros espaços de gastronomia, em Porto Alegre, negócios que administra com a esposa e sócia, Andrea Martins. Eles contrataram a Bananas Music Branding para a curadoria e provimento de conteúdos de sonorização de três dos cinco estabelecimentos que mantêm na capital gaúcha.

Ou seja: para a casa de saladas e refeições rápidas, denominada Ora Street, e, simultaneamente, para os restaurantes Peppo Cucina e PPKB Kitchen & Bar. Cada um desses endereços dos negócios gastronômicos do casal ganhou uma programação musical particularizada, de acordo com as características da clientela, com o estilo do estabelecimento e, ainda, conforme a gradual mudança do clima da casa no transcorrer do dia. Isto é: ajusta-se a sonorização à natural evolução do humor que se dá no ambiente da casa ao longo do dia, iniciando-se a jornada matutina de forma mais serena, acrescentando-se um pouco mais de intensidade à tarde e chegando-se ao ápice da ambiência humana à noite.

O time de profissionais da empresa de curadoria musical empenha-se para que o repertório flua como o curso de um rio, em que sempre são outras as águas, como descreveu Pedro Hoffmann. Escapar das obviedades, da repetição e do lugar comum é um mantra na empresa. O inesperado deve sempre fazer uma surpresa. Outro compromisso que se segue à risca é de o volume manter-se estável, com a modulação seguindo o mesmo plano, sem alterações na passagem de uma música para outra.

A Bananas Music Branding é uma empresa nascida em Porto Alegre em 2013, dispondo hoje de uma estrutura administrativa e operacional na cidade de São Paulo. Seus proprietários são dois jovens adultos: Juli Baldi, 28 anos, e Rafael Achutti, 32 anos. O comando da área comercial é de Roberta Scharcow de Vargas, que tem a mesma idade de Juli. Ao todo são dez funcionários, todos trabalhando em home office.

O denominador comum entre os integrantes da companhia é que são viscerais melômanos, vi60 Bares vendo a música dia e noite. No time dos dez colaboradores fixos há quatro curadores musicais, que desenvolvem as playlists, por meio de um software que, a seguir, é instalado nos computadores, iPADS e tablets dos estabelecimentos, em programações que se estendem por 60 ou 70 horas, com atualizações realizadas pela internet.

A Bananas opera uma plataforma (‘hub’) com 660 pessoas, espalhadas por todo o país, uma gente que igualmente encontrou na música o alimento existencial. Os membros desse ‘hub’ são individualmente requisitados de acordo com as demandas da empresa. Se algum cliente quer mergulhar o seu estabelecimento nos 360 graus de sonoridades vindas da Índia, o comando central da curadoria requisita os serviços de um moço que morou lá e é músico profissional, tocando cítaras e flautas indianas. Do mesmo modo, surgindo alguma do jazz e do blues, no arco que cobre dos anos 1920 às últimas novidades de Nova York ou Chicago, aciona- -se a plataforma Bananas Music Hub, que aloja um leque de especialistas na temática, como, por exemplo, o jovem que se formou na Berklee College of Music, em Boston, participou das bandas locais e hoje se apresenta nas casas noturnas da Paulicéia. O traquejo desses magos do som lhes permite escapar dos estereótipos musicais, trazendo à tona as sutilezas de linhas melódicas e acordes inesperados.

No portfólio da Bananas estão bares e restaurantes, a maioria sediada em Porto Alegre e São Paulo, os shoppings paulistanos Iguatemi e Cidade Jardim. Uma das demandas mais recorrentes direciona-se ao Spotify no Brasil (especializado no serviço de streaming de música). Juli e Rafael já adicionaram mais de 60 perfis ao Spotfy, com playlists que têm a incumbência de reforçar a identidade das marcas da clientela. Outro segmento de intensa atuação da empresa é o da moda (‘fashion’), como os das lojas voltadas aos públicos de diferentes gêneros.

Em dezembro de 2017, Pedro Hoffmann e Andrea Martins adicionaram as programações musicais da Bananas nos restaurantes Peppo Cucina e PPKB Kitchen & Bar. Posteriormente, encomendaram à empresa a lista de reproduções musicais para a casa Ora Street, inaugurada no início de março. As playlists são montadas sob medida, não apenas conforme a personalidade de cada estabelecimento, mas também obedecendo às mudanças dos perfis da clientela, que ocorrem ao longo dia.

O PPKB Kitchen & Bar, por exemplo, é um restaurante que funciona de um jeito no horário do almoço, e de modo diferente à noite. Está instalado no terraço de um edifício corporativo, onde trabalham 1,6 mil pessoas. Durante o almoço, dispõe de um variado bufê de autosserviço. Mas, à noite o restaurante e o bar transformam-se em espaços de interações, conversas e lazer, com o personalizado serviço à la carte. A música harmoniza-se com os tons da clientela. De dia, pode ser mais leve e sutil, com a predominância de vozes suaves ou de um instrumental calmo. À noite, o andamento tende a ser mais ritmado e envolvente. Quando se aproxima o horário do fechamento, as músicas entram em uma toada serena, já sinalizando que o atendimento está prestes a ser encerrado. Para a casa de saladas e refeições ligeiras Ora Street, frequentada majoritariamente por jovens que trabalham nos escritórios das adjacências, a programação inclina-se ao pop nacional e internacional, conferindo-se mais ênfase à música brasileira, com vistas a se difundir a produção nacional, atendendo-se assim a um dos pré-requisitos definidos pelo casal de empresários, Pedro e Andrea.

Outro parâmetro estabelecido por eles é que pelo menos 60% das músicas programadas sejam pouco conhecidas do público. Esse balizamento, como explanou Hoffmann, tem o propósito de fazer com que os estabelecimentos Peppo, PPKB e Ora Street sejam, também, polos irradiadores da produção musical contemporânea. Mais adiante, Pedro e Andrea pretendem incluir dois outros dos seus estabelecimentos – o Ora Fit e o Ora Caffè – na linha sonora da Bananas Music Branding. O Ora Fit funciona dentro de uma academia de ginástica. E o Ora Caffè está em um dos andares do prédio corporativo, em cujos terraço e mezanino espalham-se o PPKB Kitchen & Bar.

A música ajustada ao perfil da casa e do seu público completa, como diz Hoffmann, o multifacetado prisma cultural de um bar ou restaurante. “Os estabelecimentos da alimentação fora do lar são portadores de todas as facetas culturais. Eles contêm a arquitetura, a decoração, o mobiliário, a gastronomia, o design dos pratos e talheres, o terroir dos alimentos e dos cardápios, o caráter regional, as tradições e falares de cada lugar, os jardins externos e as plantas internas, as artes plásticas nas pinturas ou esculturas à vista de todos, o convívio social, as celebrações. São espaços de acolhimento, fontes de emprego e empreendedorismo. São ativadores de vida”.

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