Um novo mundo, sem gravata

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* Por Paulo Solmucci Júnior

O poder da caneta está em declínio.

Ainda resta uma tênue e curta sobrevida para a cadeira de espaldar o alto da cabeceira da mesa, na qual se assenta o cidadão empertigado, em cujo dedo pai-de-todos reluz o anel de doutor, tendo ao seu fundo a estante coberta sem coleções de livros encadernados em letras douradas.

Acabam-se as nominatas que precedem os discursos. Será como no ritual do Congresso americano. O locutor diz apenas que tem a distinta honra de lhes apresentar o presidente dos Estados Unidos. O presidente saúda a plateia e logo entra no assunto: "Mister speaker, mister vice-president, members of Congress, distingued guest and fellow americans".

O Brasil inteiro começa agora, com 17 anos de atraso, a ingressar no século CCI, a era da descontração, da redução de atitudes autoritárias e dirigistas, da vida sem imperativos categóricos em que se eliminam as paredes divisórias e se trabalha nos espaços abertos, em horários variáveis, privilegiando-se a comunicação em detrimento da coerção.

Adentramos os bares e restaurantes. E não precisamos tirar as gravatas, porque não as usamos mais, como há muito já faz o dirigente mundial da Fiat Chrysler, Sérgio Marchionne, que vai de traje esporte aos palácios e aos protocolares encontros, como fez na reunião com Donald Trump, na Casa Branca, em janeiro deste ano.

O nosso país começa, finalmente, a se alinhar com o que passa nas áreas mais desenvolvidas do palenta. Começa a ter o jeito Abrasel de ser. Eis o tema da reportagem de capa da última edição da revista Bares & Resturantes.