Clélia Iwaki - A acentuada curva de aprendizado da maturidade empresarial


Com foco em produtividade e soluções para os tempos de crise, foi realizado em São Paulo a Fispal Food Service, de 14 a 17 de junho

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Os empresários participantes da maior feira latino- americana da Alimentação Fora do Lar de lá sairam com uma abarrotada mala de soluções para seus estabelecimentos. Assim definiu a executiva Clélia Iwaki em entrevista à Bares & Restaurantes. O momento de retração geral dos negócios o qual atravessa o país, acabou contribuindo para que o foco do grandioso evento estivesse muito bem demarcado, possibilitando aos expositores e visitantes um acentuado reposicionamento da gestão, focando-a em soluções que deem sustentabilidade aos negócios, diz ela.

O organismo econômico nacional, na avaliação que ela fez à B&R, é absolutamente saudável, uma vez que conta com um mercado crescente, em termos de população de consumidores. “Ninguém fica sem se alimentar. O que acontece é que as pessoas estão gastando menos, todas as vezes em que fazem a refeição fora de casa”, resume. O aperto geral no caixa dos bares e restaurantes tem servido, no entanto, como um campo de provas para testar a qualidade da gestão, compelindo os empresários a buscarem os maiores níveis possíveis de produtividade.

Em outras palavras, estaria em curso uma depressão apenas circunstancial, sem que se caracterize uma patologia estruturada e crônica. O quadro atual teria analogia com a depressão infantil, que se dá como um fator de reacomodação das crianças às novas situações por elas experimentadas. Uma vez adaptadas às inéditas circunstâncias dos primeiros anos de vida, as crianças vencem a angústia e, assim, amadurecem. A evolução emocional dos bebês e infantes em direção à maturidade foi estudada e analisada pelo pediatra e psicanalista inglês, Douglas Wood Winnicott.

Foi esta ponte para a nova realidade pós-depressão que se apresentou, ao setor de Alimentação Fora do Lar, na Fispal Food Service, entre 14 e 17 de junho, no Expo Center Norte, em São Paulo. Os objetivos da ultrapassagem de um estágio para o outro são a gestão e produtividade melhor calibradas, assim como a sustentabilidade dos negócios. “Não há a menor dúvida de que as empresas, ao escalarem essa nova curva de aprendizado, estarão mais encorpadas e fortalecidas para os novos tempos”, diz Clélia Iwaki.

Como é realizar uma feira de negócios em um contexto de crise?

Dizer que não há uma crise econômica seria uma ignorância. Há, sim. Mas há, também, outra leitura: com ou sem crise, as pessoas não deixam de se alimentar. O que acontece é que o mercado de Alimentação Fora do Lar precisa entender, traduzir, se organizar para trabalhar nas circunstâncias de agora. A gente sabe que a economia e os mercados passam por ciclos. Aqueles que, nos momentos de baixa, conseguem se fortalecer, estarão muito melhor posicionados no pós-crise, aí comparando-se com a sua situação na fase anterior.

Você diz que as pessoas continuam se alimentando. Então, o que mudou neste momento?

O consumidor final está revendo os tickets. O ticket médio gasto com a Alimentação Fora do Lar é menor. A alimentação é uma necessidade primária do ser humano. A população cresce. O que ocorre é uma revisão de quanto se gasta para comer fora de  casa. Mas não se parou de comer. E não se parou de comer fora de casa.

Assim sendo, como a Fispal Food Service esteve posicionada para a edição deste ano?

O empresário – o dono do bar, do restaurante, da padaria, da pizzaria – foi à feira muito mais focado na busca de soluções para se reposicionar, ajustando-se ao cenário de agora. A feira refletiu isso. Entregou soluções e alternativas para esse empresário. A abordagem da alternativa de soluções sempre esteve presente em todas as edições da Fispal Food Service. Mas, neste ano, houve muito mais ênfase nas soluções e alternativas para o atingimento de uma melhoria ainda mais acentuada da produtividade. O que se quer é otimizar o tempo de todo mundo. Que, ao final da feira, o empresário saísse com uma mala cheia de soluções para o seu estabelecimento.

Esse deslocamento para a busca de soluções vem de uma leitura que os organizadores da Feira fazem da atual conjuntura econômica?

Somos orientados pelo mercado. Este posicionamento não é algo que a gente cria, inventa e, depois, implementa. A orientação vem do mercado, e, em cima dela, montamos todo o planejamento estratégico, o direcionamento comercial, de comunicação, e, enfim, o conjunto das operações que resultaram na entrega da feira. Consideramos os parceiros como parte da nossa equipe. Entre eles, estão o Sebrae, a Abrasel, os expositores e os visitantes. Os parceiros se somam à nossa equipe, que é muito grande, em suas diversas vertentes, como as áreas comercial, administrativa, de marketing e de operações.

De que maneira pode se entender essa justaposição entre a Fispal Food Service e a ExpoVinis?

É a melhoria de posicionamento. O setor de Alimentação Fora do Lar tem, na ExpoVinis, alternativas de incremento de produtos a serem ofertados aos seus clientes. O vinho passou a ter uma representatividade muito grande no canal de Alimentação Fora do Lar. Muitas vezes você entra numa padaria e vê que elas têm ali um cantinho com uma adega, para a comercialização de vinhos. Os restaurantes estão se preocupando em qualificar o seu pessoal, contratando e treinando sommeliers para orientar a harmonização com determinados pratos. Então, isso faz todo sentido no momento em que a gente precisa ajudar o setor a ser mais produtivo. Estamos convictos de que esse diálogo muito próximo, entre as duas feiras, trouxe um impacto altamente positivo para o setor de Alimentação Fora do Lar. Hoje mesmo, quando fui almoçar, havia na mesa uma sugestão de um suco de uva integral, produzido por um expositor nosso. Olha aí outro ponto importante: a saudabilidade.

A saudabilidade tem a ver com os necessários ajustes do momento?

Claro. Tem a ver, sim. A segurança dos alimentos, a sustentabilidade e a saudabilidade já permeiam o cenário do novo tempo. Há várias conexões. Ocorre, por exemplo, a mencionada convergência entre a Fispal Food Service e a ExpoVinis. E existe a convergência de ambos os setores – o dos vinhos e o da Alimentação Fora do Lar – com a Fispal Tecnologia, que aconteceu em paralelo com essas feiras, no Anhembi. Todas as feiras ocorreram nas mesmas datas e horários. Assistimos uma visível mudança de comportamento do consumidor final, que se manifesta no canal da Alimentação Fora do Lar, nos bares, restaurantes, cafés, padarias, pizzarias.

Fonte: Revista Bares & Restaurantes, edição 110.


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