João Pedro Serra - A tecnologia leva o cliente até você


Mesmo com a retração econômica, é possível fazer girar, ainda mais, a roda dos negócios. Há muitos clientes bem perto de você. Eles moram no entorno do seu bar, café ou restaurante. Quem colocará os clientes dentro do seu estabelecimento é o Groupon, uma empresa de tecnologia, sediada em Chicago, que fez da sua base no Brasil a plataforma para toda a América Latina. “A nossa missão é esta: conectar o comércio local com seus clientes”, afirma o vice-presidente de negócios do Groupon Brasil, João Pedro Serra.

Ele diz que a fonte de receita do Groupon vem unicamente do sucesso dos comerciantes. Ou seja, a empresa de tecnologia só é remunerada com um “fee” (uma taxa) depois que os clientes foram ao bar ou restaurante, provocando o tilintar da caixa registradora do estabelecimento. Serra concedeu entrevista à Bares & Restaurantes. Além de tecer considerações sobre o incremento de vendas, por meio das conexões entre o comércio e os clientes locais, o executivo falou sobre o impacto da tecnologia na formalização dos negócios e na redução da burocracia, e, ainda, sobre o valor das alianças na ocupação de nichos de mercado.

B&R – Quais são, a seu ver, os pontos de convergência entre o Groupon e a Abrasel, com seus bares, cafés e restaurantes voltados, sobretudo, para as ruas?

João Pedro Serra – A convergência é total. A nossa missão é conectar o comércio local com seus consumidores, com seu público alvo. O Groupon é uma empresa de tecnologia, que desenvolveu essa plataforma, esse conceito. Nosso maior segmento é o de bares e restaurantes. Já fui empresário de varejo e atesto com muita alegria a total convergência e aptidão que o Groupon tem em ajudar a levar consumidores para as pequenas e médias empresas, que são o maior mercado do Brasil. E também ajudar as grandes. Os nossos objetivos, confundem-se com os objetivos de curto, médio e longo prazos dessas empresas que se voltam para as ruas. A nossa aptidão passa primordialmente pela categoria de bares e restaurantes, por saúde e beleza, por serviços, por entretenimento. O que significa conectar o comércio local? É conectar, por exemplo, um bar e restaurante, do bairro ou de uma quadra, com o público que está ali, no seu entorno. Conseguimos fazer isso, de modo muito eficiente, por meio da tecnologia, da nossa plataforma “mobile”, presente dentro do smartphone. Basta que a pessoa ligue seu GPS, selecione as oportunidades que lhe são próximas. Assim, tem acesso imediato aos nossos parceiros, situados no seu entorno.

B&R – No Congresso da Abrasel, realizado recentemente em Brasília, os chefs Laurent Suaudeau e Claude Troisgros chamaram a atenção para o fato de que a gastronomia vai revelar toda a sua potencialidade, no Brasil, quando houver, no bairros das cidades brasileiras, bares e restaurantes frequentados, sobretudo, pelos moradores desses mesmos bairros.

João Pedro Serra – Perfeito. Esta é a nossa aptidão, a nossa razão de existência: conectar o comércio local com seus clientes.

B&R – De que maneira, o advento das conexões tecnológicas entre o comércio e a clientela, sobretudo com a disseminação do smartphone, pode reduzir o elevado de grau de informalidade nos micro negócios do setor de bares e restaurantes?

João Pedro Serra – A busca pela melhoria dos negócios, por meio da promoção de vendas ensejada pela tecnologia, é, em si, indutora da formalização. Para um estabelecimento estar no Groupon, o pré-requisito é a legalização. A gente preza, de forma obcecada, pela boa experiência, pela plena satisfação do usuário final. Somos corresponsáveis pelo serviço, o que implica, para estar conosco, um mínimo de qualidade comprovada. Temos que levar em consideração que o smartphone é uma janela para a internet, em qualquer lugar e a qualquer hora. Isso proporciona uma permanente difusão de informações e de ofertas ao consumidor final. Para que o empreendedor tire proveito dessa situação, alcançando um excepcional nível de serviços, por meio do Groupon, tem de estar legalizado. E é claro que para que isso aconteça, de forma generalizada entre os negócios hoje informais, obviamente o nível de atrito, representado por custos sociais e leis infinitas, tem que diminuir.


B&R – Qual o valor, para o Groupon, das parcerias e alianças, no que diz respeito à ocupação de nichos de mercados e às inovações?


João Pedro Serra – As alianças e parcerias são fundamentais. Hoje temos milhares de parceiros, sem os quais a gente não é nada. Levamos a esses parceiros uma nova tecnologia, a uma nova maneira de se atrair o público. E também aprendemos com esses parceiros, descobrindo novas maneiras de fazer negócios, novos nichos de mercado. Cada nova parceria que é formada traz novos conhecimentos, novas possibilidades de atuar em locais que, antes, você não enxergava. São fundamentais. Buscamos as parcerias de forma ativa, no nosso dia a dia.

B&R – É possível perceber, aqui e ali, uma ou outra empresa, que esteja aproveitando essa freada na economia e provoca danos no mercado como um todo, para se reposicionarem e reverem processos de gestão. Qual sua avaliação sobre este quadro?

João Pedro Serra – Como você mesmo mencionou, o momento atual é de lamber as próprias feridas, de olhar para dentro, de ficar mais eficiente. Esta sua pergunta me ajuda até a expor o que a gente tem para contribuir, numa fase assim. Se a nossa função é conectar o parceiro, o estabelecimento com os seus usuários, é disso o que o empresário precisa neste momento. Precisa de clientes. A gente leva clientes a ele. E leva de uma forma muito eficiente. O Groupon não cobra nada na frente. Como o Groupon se remunera? Remunera-se com um “fee” (uma taxa) de sucesso. Se levei o consumidor ao estabelecimento, então, se funcionou, sou remunerado. Não é como fazer uma panfletagem, um encarte, a distribuição de mala direta, em que se realiza o investimento e, depois, reza para que se tenha o retorno. No Groupon, só se desembolsa pelo que funcionou.

B&R – A década de 1990 estabeleceu a linha divisória entre dois mundos: o analógico, que ali começava a declinar, e o digital, que emergia. Hoje, ainda há muitos resquícios da era analógica, como instituições do mundo sindical, tanto laboral quanto patronal, que são austeras, rígidas, inflexíveis, excessivamente formais. E há o cipoal burocrático, como a fossilizada legislação trabalhista. Há, na sua opinião, alguma possibilidade de que esta nascente era do conhecimento e da tecnologia venha a dissolver os resquícios da velha ordem?

João Pedro Serra – É uma questão muito interessante. Isso ocorre no mundo desde que surgiu a tecnologia. Ninguém poderia imaginar, lá na década de 1970, quando se teve o protocolo de internet, o que existiria e o que a gente viveria hoje. Vem, então, a primeira onda, a da tecnologia. Logo depois, vem a onda econômica, usufruindo, diversificando e distribuindo essa tecnologia para o conforto e bem-estar da sociedade. A terceira e última onda é a da legislação. Citando um exemplo bem prático: surge a internet, e com a internet surge a Amazon, e, a seguir, vem a burocracia e a tributação correndo atrás, para se aproveitar dessa novidade. A recíproca é verdadeira. Hoje, por exemplo, há a computação em nuvem. Como é que se tributa a computação em nuvem? Ninguém sabe direito. Ficam, inutilmente, usando as metáforas do mundo de cimento e de tijolo. As legislações, como a tributária, vão inevitavelmente se adequar e se adaptar à velocidade da tecnologia, sob pena de travar a economia. A complexidade com a qual nos defrontamos, em termos de custo Brasil ou do emaranhado tributário, terá que se resolver, porque, caso contrário, sem se adequar aos avanços propiciados pela tecnologia, a economia não flui. Acho que logo logo, com movimentos semelhantes aos promovidos pela Abrasel, assistiremos a um Brasil mais simples.

B&R – Como se situa o Groupon no Brasil e na América, hoje e nos próximos anos?

João Pedro Serra – O Groupon é uma empresa que está em mais de 45 países. É uma multinacional. Surgiu há oito anos em Chicago. Cresceu para o mundo. Tem um modelo de negócios que é único, muito copiado. E o Brasil – tanto quanto a América Latina – é estratégico para o Groupon, que é uma empresa de muita inovação. No ano passado, aderimos à nova plataforma, uma homepage nova, unificada globalmente, que facilita o número de ofertas na página. Neste ano, continuamente estamos trazendo serviços e inovações para cá, denotando a importância da região para a empresa, no âmbito mundial. O que podemos esperar do Groupon, tanto para o Brasil quanto para a América Latina, é a continuidade do crescimento, dos investimentos. Por enquanto, o que gente vê é só a ponta do iceberg. Temos muito para crescer. Esperamos, realmente, que a Abrasel seja uma parceria forte, nesse nosso crescimento. Será muito importante, na consolidação dos nossos sonhos, que estejamos juntos com a Abrasel.


Fonte: Revista Bares & Restaurantes nº105 *Matéria na íntegra disponível na versão impressa
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