Jerônimo Goergen - Menos burocracia, mais avanço para o setor



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Ele nasceu no município de Palmeira das Missões, no Rio Grande do Sul, mas cresceu em Santo Augusto, no mesmo estado, onde moram seus pais. Formado em Direito, o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) sempre esteve ligado ao setor de agronegócio e, desde cedo, demonstrou características de liderança, militando ativamente na juventude do Partido Progressista gaúcho, da qual foi presidente. Após ser deputado estadual por dois mandatos, se tornou deputado federal e foi reeleito para o segundo mandato nas eleições deste ano. Também é presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Setor de Alimentação Fora do Lar, Bares e Restaurantes e aposta no setor para fomentar a economia nacional.

“É um dos segmentos econômicos que mais cresce no Brasil. O ano de 2014 deve alavancar ainda mais o negócio da alimentação fora do lar. Porém, os resultados poderiam ser ainda melhores se tivéssemos um ambiente legal mais favorável aos empreendedores”, afirma.

A alta carga tributária também foi criticada pelo deputado, que vê nos impostos um entrave burocrático considerável para o setor. “Sem falar nas dezenas de propostas legislativas que tramitam na Câmara e no Senado, muitas criando novos entraves e mais custos. Precisamos estar atentos para contribuir com a redução da informalidade e o estímulo aos novos empreendimentos.”

Goergen também é a favor da regulamentação do trabalho intermitente, que possibilita a contratação por hora em jornada móvel, o que beneficiaria os consumidores ao adequar oferta e demanda e, em especial, os jovens que poderiam conciliar trabalho e estudos, facilitando a sua iniciação profissional e complementando a renda familiar.

A seguir, você confere a entrevista com o deputado:

Sua atuação parlamentar estende-se da plantação à mesa do restaurante. Ou seja: faz parte da bancada ruralista e também preside a Frente Parlamentar em Defesa da Alimentação Fora do Lar. Para o senhor, quais são os maiores nós do Brasil, hoje, tanto para o produtor de alimentos quanto para os bares e restaurantes?
Prefiro dizer que pertenço à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), bancada de deputados que atua a favor do agronegócio, seja ele feito na pequena, média ou grande propriedade. Dito isso, afirmo que o Brasil precisa se debruçar sobre uma reforma tributária, simplificar procedimentos administrativos e racionalizar as leis. É preciso deixar o empreendedor livre para fazer o que mais sabe: negócios para o Brasil.

Fala-se muito em empreendedorismo. No entanto a onda empreendedorista é sempre curta. De cada 100 empresas abertas no país, apenas 20 completam o segundo ano de vida. O que falta para elevarmos a sobrevivência das empresas no país?
Sem organização e capacitação, o empreendedor fica à mercê de um mundo cada vez mais competitivo, que exige atitudes inovadoras e investimentos em novas tecnologias. Por isso, também capitulam nos primeiro ano de vida. No entanto, é fato que o ambiente tributário, comercial e burocrático acaba por travar os negócios. A fiscalização é necessária, mas não pode ser punitiva.

Na sua opinião, quais entraves prejudicam o crescimento do setor de alimentação fora do lar?
A carga de impostos ainda é muito alta e os entraves burocráticos gigantes. Sem falar nas dezenas de propostas legislativas que tramitam na Câmara e no Senado, muitas criando novos entraves e mais custos. Precisamos estar atentos para contribuir com a redução da informalidade e o estímulo aos novos empreendimentos. Nas cidades do interior, como a minha Palmeira das Missões, isso repercute de maneira mais intensa. Onerados e pressionados pelo setor público, os preços dos produtos e serviços aumentam, afugentando o consumidor. Tem muita gente, ainda, que pode ser inserida nesse segmento econômico.

A cidade só é viva, segura, saudável e sustentável se tiver ruas vivas, seguras, saudáveis e sustentáveis. A presença dos bares e restaurantes contribui muito para isso. Como vê a importância desse setor?
Sou um entusiasta do setor de bares e restaurantes. É um dos segmentos econômicos que mais cresce no Brasil. O ano de 2014 deve alavancar ainda mais o negócio da alimentação fora do lar, que deve movimentar algo em torno de R$ 140 bilhões, um crescimento de 8,6% em relação a 2013, segundo levantamento do Pyxis Consumo, ferramenta de dimensionamento de mercado do Ibope Inteligência. Porém, os resultados poderiam ser ainda melhores se tivéssemos um ambiente legal mais favorável aos empreendedores.

Atualmente, o segmento de bares e restaurantes reúne cerca de um milhão de estabelecimentos. No entanto, falta infraestrutura adequada nas cidades e até calçadas descentes para receber os estabelecimentos e a população. As nossas prioridades estão invertidas?
Se já visitou os Estados Unidos ou a Europa, sabe do que eu vou falar. A infraestrutura urbana é muito superior à nossa. Estamos na época das cavernas no aspecto da limpeza das vias urbanas, da qualidade das calçadas. Não há padronização dos passeios públicos. Essa parte visual é muito importante. A mesma relação, podemos fazer com o nosso ambiente legislativo. Há mais de 60 projetos tramitando na Câmara e no Senado que envolvem diretamente o setor. Alguns deles apenas criam mais gastos para os estabelecimentos, porque não cotejam com a realidade das comunidades onde eles estão instalados. Por isso criamos a Frente Parlamentar Mista em Defesa do Setor de Alimentação Fora do Lar, Bares e Restaurantes.

Além de infraestrutura adequada, a regulamentação do trabalho intermitente é fundamental para o setor e também para os jovens, por permitir a jornada de trabalho por horas ou escala móvel. Por que não se admite a regulamentação do trabalho intermitente no Brasil?
Acredito que o trabalho intermitente precisa ser regulamentado, visto que oferece a possibilidade de um aprendizado importante. Ajuda na formação de mão de obra e no caráter do cidadão.



Fonte: Revista Bares & Restaurantes nº100 *Matéria na íntegra disponível na versão impressa
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