15/07/2011 - O meu pão de cada dia

Por Flávio Rezende *

 

Os seres que conseguem identificar no cotidiano de suas vidas as maneiras, lugares, pessoas e acontecimentos que tem potencial de tornar seu viver mais feliz são, no meu entender, os magos, os verdadeiros alquimistas da existência.

 

Quase todos moramos em algum lugar e, nos arredores, existem outros lares, estabelecimentos comerciais, às vezes praças, grupos de amigos que se reúnem cinemas, barzinhos e, é possível manter relacionamento e freqüentar essas coisas, estabelecendo com irmãos de jornada terráquea diversos tipos de relação.

 

Para quem não tem uma vida noturna intensa como eu, a melhor opção para sair um pouco do círculo do trabalho-casa é buscar em algum lugar da circunvizinhança um porto seguro para o exercício da conversa agradável, da amizade sincera e do passatempo sadio.

 

 

Quando sai de Mãe Luiza para morar em Ponta Negra, cerca de dois anos e pouco atrás, encontrei na Padaria Ponta Negra, esse lugar agradável para o gozo dos sentidos uma vez que, lá, posso ouvir bons papos com amigos, funcionários e passantes, degustar comidas que decido ingerir e, vivenciar momentos memoráveis que vão desde brincadeiras sobre os times ABC e América - posto que o funcionário Severo é o único americano do quarteirão, até amenidades do bairro e atualização da vida pessoal dos freqüentadores.

 

Dirigida pelo amigo uruguaio Eduardo Craciun Otormin, um cavalheiro, homem calmo e muito querido por todos, a Padaria Ponta Negra brilha no universo do bairro como um farol, pois, vejo ali a prática da caridade com alguns transeuntes menos favorecidos, o atendimento cordial, o respeito a todas as figuras, entre os quais bêbados, mal-educados, trambiqueiros, maloqueiros ou drogados, que às vezes testam a paciência dos funcionários com atitudes nada santas, mas, tenho observado que em todas as circunstâncias, prevalece à calma e a sabedoria dos grandes mestres, terminando o dia sempre com a ata registrando a paz divina e a integridade dos valores morais.

 

Registro para meus leitores que, entre as muitas alegrias que identifico na vida como as caminhadas, o mar, a sinfonia dos pássaros em alegres piruetas aéreas, a família, o trabalho, Casa do Bem, escritos e o jardim de bênçãos que torna meu coração uma sementeira de amor, entrono a Padaria Ponta Negra e seus habitantes como um espaço digno de ser eternizado na memória e, que por ser tão agradável, continuará merecendo não só a minha, como a presença de todos que ali encontram um motivo a mais para gostar e apreciar a arte de viver socialmente bem.

 

*É escritor, jornalista e ativista social em Natal /RN ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. )