O comércio de bairro e o jardim da criação

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* Por Paulo Solmucci Júnior

É preciso que encontremos um jeito novo de viver. Esta é uma exortação que vem sendo feita pelas mais responsáveis lideranças mundiais. Entre elas, o papa Francisco. Ele divulgou, em 18 de junho, a encíclica ‘Laudato si – sobre o cuidado da casa comum', que trata da ecologia da humanidade e do planeta.

Ao trazermos o texto para o nosso cotidiano, constatamos que são essenciais, ao mundo de hoje, as relações cotidianas da vizinhança, a solidariedade, o encontro, a abertura ao outro, o diálogo com o próximo. Daí, o que percebemos muito nitidamente é que o pequeno comércio dos bairros representa um conjunto de pontos irradiantes deste espírito comunitário, do intercâmbio entre as pessoas em sua vida cotidiana.

Podemos ver o variado comércio de bairro como um colar de diminutas e variadas conchas, de diferentes tamanhos e diferentes cores. O colar simboliza uma coleção das virtudes e dos valores apregoados na encíclica papal. Só a congregação de pessoas, pelas vizinhanças, pode fazer com que a humanidade se entenda nos cuidados da casa comum, o planeta.

É a simplicidade do que é bem feito. É a qualidade do que se serve ao cliente, em contraposição à perversa cultura da ostentação e do descarte. É a dignificação do trabalho em família, reunindo o marido, a mulher, os filhos. É o capricho da economia de água, do apagar das luzes desnecessárias, da separação do lixo. São as pessoas se cumprimentando com um ‘bom dia’ ou um ‘boa noite’. É a pergunta: ‘você está bem?’. E é a alegria de assim dizer: ‘prazer em vê-lo’.

É com o florescimento do comércio de bairro que vamos espalhando – nas comunidades em que vivemos - a mensagem do papa Francisco. Seja a partir de uma vendinha, de um barzinho, de uma lanchonetezinha, o nosso negócio é portador de abençoada e nobre missão: a de ajudar a cultivar e a preservar o jardim da criação.